Balanço da Insurgência sobre o XV Congresso do Sepe-RJ

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Sepe/Insurgência

Estamos nas escolas, nas ruas, na direção do SEPE sem temer a luta e o debate!

No ano de comemoração dos 100 anos da Revolução Russa, dos 40 anos do nosso sindicato e dos 30 anos da unificação com os funcionários administrativos, realizou-se o XV Congresso do SEPE, um dos maiores de sua história, com mais de 1700 delegados presentes. Há muito aguardado pela categoria, o Congresso recebeu a inscrição prévia de 22 teses gerais assinadas pelos mais diversos grupos políticos que militam no sindicato. Em grande parte delas, sobressaía um desejo comum: sairmos do Congresso com políticas educacionais bem alinhavadas e com um plano de lutas capaz de armar a classe contra os ataques dos governos à educação pública e aos seus profissionais. Entretanto, este anseio acabou cedendo lugar a um esforço coletivo do campo da esquerda do SEPE para que medidas antiburocráticas aprovadas no congresso passado não caíssem por terra, levando o sindicato a um retrocesso que muito custaria à organização da nossa categoria.

Nestes dias pós-congresso, alguns grupos políticos que compõem a direção do SEPE, desejando criar uma narrativa que tente justificar suas posturas burocráticas, vêm atacando a Insurgência por sua atuação no bloco de esquerda no Congresso. A Insurgência tem apenas quatro anos de existência como organização. Neste curto período, vivenciamos lutas e temos resistido à crise, ao conservadorismo, ao sectarismo na esquerda, sempre em busca de uma nova prática política mais democrática e à altura dos nossos desafios. Temos como objetivo contribuir para o processo de reorganização da esquerda no Brasil em todos os espaços de luta onde estivermos militando. E no SEPE isso não tem sido diferente.

Nossa trajetória enquanto organização política teve início na histórica greve da rede municipal de educação do Rio de Janeiro, em 2013, quando, em uma ação direta juntamente com companheiras/os de grupos diversos e independentes, tivemos a coragem de ocupar a Câmara de Vereadores na tentativa de conquistar nosso plano de carreira unificado. Ainda inspirados pelas históricas jornadas de junho de 2013, entendemos a necessidade de se dar vez e voz a elas no Congresso de 2014, entendendo que ali estava colocada uma janela de oportunidades de renovação no nosso sindicato e em todo movimento sindical, uma nova concepção que negava a democracia representativa carcomida em nosso país, que negava o jogo perverso dos gabinetes, dos acordos no parlamento. Consideramos importante sinalizar para a jovem base da categoria que o nosso sindicato era diferente das velhas estruturas sindicais. Vários companheiros que muito nos orgulham por fazerem parte da Insurgência, os quais já estavam no SEPE antes do advento da fundação da organização, ajudaram a construir um sindicato que acabou com o presidencialismo, instituiu uma direção proporcional, nunca aceitou a cobrança compulsória do imposto sindical e ampliou o conselho deliberativo, ou seja a representatividade da base no sindicato.

Era preciso, no entanto, um pouco mais no penúltimo congresso e nós, Insurgentes, nos orgulhamos de termos entendido que 2013 nos demandava mais democracia, democracia real, nas ruas e no SEPE. Por que ter medo da nova geração de militantes? Por que ter medo da base do nosso sindicato? Nós não queremos um sindicato cindido. Não nos interessam as querelas da luta política, nos interessa a luta de classes. Mesmo considerando as diferenças entre as organizações, majoritárias ou minoritárias, nos interessa que o “SEPE somos nós”, TODOS nós. As jornadas de 2013 nos impuseram um novo padrão de organização que respeita a horizontalidade das ruas, que sabe que a aliança se trava nas ruas, nas ocupações, nas greves. Não devemos ser um sindicato meramente vanguardista, muito menos um sindicato dirigista. Não queremos, nem precisamos de um SEPE vertical. Precisamos ampliar as bases democráticas do sindicato. Este deve ser o nosso compromisso.

Neste XV CONSEPE compusemos a tese do Coletivo Sindical Braços Dados e assinamos a tese Outros Outubros Virão. Nós não desistimos e não desistiremos do SEPE que construímos. Nosso lugar na luta, ao contrário, diz que a nossa história não será contada nos aparatos e superestruturas, ela será contada pela insurreição, ela será contada, também, pelos companheiros que em 2013 tiveram a ousadia de ocupar a Câmara de Vereadores do Rio, ela será contada pelos companheiros que fizeram a greve mais longa da rede estadual, ela será contada pelos companheiros/as que ocuparam a SEFAZ e pela nossa juventude que ocupou as escolas e a sede da SEEDUC. É dessa história que queremos participar, que traz o futuro com pedras na mão.

Portanto, não deveria causar estranheza a ninguém a postura da Insurgência no Congresso recentemente concluído. Entendemos a vontade da base de debater o seu sindicato através da opção pela votação prioritária do estatuto em função da recorrente lógica fratricida e autoritária de algumas organizações políticas que compõem o sindicato. Buscamos compor um bloco de esquerda capaz de barrar os retrocessos e conduzir o sindicato às mudanças que a conjuntura nos impõe. E conseguimos barrar tais retrocessos através da unidade com os grupos políticos avessos à burocracia de parte que compõe a direção atualmente. Juntos vencemos a eleição para o Conselho Fiscal, o ordenamento das votações, incluímos os aposentados no Conselho Deliberativo e conseguimos manter a proporcionalidade qualificada na eleição do sindicato sem cláusula de barreira. Conseguimos inserir o comando de greve no estatuto, contudo, como nós da Insurgência não tivemos acordo a respeito de seu formato, continuamos dispostos a debater o melhor formato para o seu funcionamento. E apesar do desonesto recurso feito horas após a definição do ordenamento das votações, a base rechaçou qualquer possibilidade de votação de filiação a centrais ou CNTE.

Saímos do Congresso com a certeza de que nossa postura correspondeu aos nossos princípios norteadores. Nos posicionamos contra a burocracia e a favor das mudanças e da renovação. E podemos assim balizar nossas ações pois fizemos parte nas últimas eleições da chapa mais votada para o SEPE Central. Diferentes de muitos, não pautamos a luta pela falsa dicotomia entre direção e base. Nós estamos na direção, nós não somos direção. E estamos na direção para organizar a categoria. Estar na direção não é nossa condição de existência. Estar na luta, sim. Viemos da base, somos da base e é por ela que aqui estamos. Quem tem medo da base da categoria? À guisa de informação, no Congresso de 1987, após perder todas as propostas, a direção majoritária do sindicato renunciou e convocou um conselho deliberativo, que elegeu uma direção provisória. Na verdade, havia uma transição geracional e política naquele momento. O antigo partidão hegemonizava a direção, mas estava surgindo a juventude cutista querendo mudanças de concepção sindical. Traçando um paralelo, vimos nesse congresso, que parte da direção perdeu quase todas as propostas neste congresso. Inclusive a refiliação à CNTE sequer foi votada porque a base da categoria rechaçou a tentativa de alteração da ordem de votações. Cabe perguntarmos: não estaríamos passando por um novo processo de transição política aberto pelo ciclo de lutas de junho de 2013 e pela nova geração de militantes que se formou desde então?

Vamos ao debate companheiras e companheiros!  Saudações Sindicais!

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