Construir a Greve Geral de 28 de abril! É possível vencer a reforma da previdência! É possível vencer Temer!

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Um ano depois das manifestações de massas puxadas pela direita, março de 2017 assistiu manifestações populares tão significativas que representam uma mudança importante na conjuntura nacional. O mês começou com os grandes protestos internacionais das mulheres no 8 de março, que no Brasil levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas das principais cidades. Março terminou com os atos do dia 31 contra as “reformas” trabalhista e da Previdência.

As paralisações do dia 15 de março, em especial, fizeram o governo tremer e evidenciaram que é possível barrar a reforma da Previdência. Agora, todas as centrais sindicais, com apoio dos movimentos sociais e partidos de esquerda – com destaque para o PSOL – estão chamando uma Greve Geral para 28 de abril, a primeira desse tipo para toda uma nova geração política.

A forte rejeição social da proposta apresentada, que quer fazer com que trabalhadores e trabalhadoras tenham que colaborar com quase 50 anos para o sistema previdenciário, está fragmentando a base de apoio do governo. Esta tinha se mostrado unida ao apoiar o congelamento de gastos públicos por 20 anos, mas já evidenciara algum problema quando da aprovação da lei da terceirização. O próprio PMDB, partido de Temer, não demonstra unidade na defesa da reforma da previdência.

Esse cenário mostra o acerto da política de construção de frentes amplas e unitárias contra as políticas de austeridade. Impedir a perda de direitos históricos e impor derrotas ao governo Temer deve estar no centro da estratégia de toda a esquerda e, mais ainda, dos socialistas. Os retrocessos causados pela aprovação da emenda constitucional limitando os gastos públicos e, agora, pela terceirização irrestrita não podem ser aprofundados pela reforma trabalhista e da previdência.

A direita perdeu seu ímpeto, mas não está derrotada. Os atos puxados no 26 de março por movimentos como o MBL e o Vem pra Rua foram esvaziados em todo o país, mas o governo Temer ainda mostra capacidade de iniciativa. Iniciou-se, afinal, o processo de cassação da chapa Dilma-Temer por crime eleitoral, por conta do pagamento de propina e Caixa 2 pelas empreiteiras, mas já está evidente que será um processo longo, que pode se arrastar por todo o ano de 2017 – com o PMDB, o PT e agora o próprio PSDB, que iniciou o processo unindo-se na defesa da legitimidade das contas da eleição de 2014. A defesa de Dilma torna-se a defesa de Temer, seu vice golpista!

De outro lado, embora as delações de pessoas acusadas na Lava Jato continuem sendo homologadas (depois dos executivos da Odebrecht agora é a vez dos marqueteiros João Santana e Monica Moura, responsáveis pela campanha de Dilma, que foi paga com o dinheiro ilegal das empreiteiras), políticos do PSDB, PMDB, PT e outros partidos estão costurando no Congresso um acordo para anistiar o crime de Caixa 2 nas eleições, procurando salvar sua pele e a do governo Temer. A trama da corrupção da política no país, envolvendo, entre outros aspectos, financiamento empresarial de campanha (antes admitido, mas agora ilegal), Caixa 2 eleitoral, propina nas licitações públicas, enriquecimento indevido de políticos e funcionários públicos, superfaturamento de obras públicas e benefício de ilegal de empresas, deve ser trazida a público e ser objeto das devidas responsabilizações legais.

Lembremos, por fim, que nas movimentações em curso está em jogo a recomposição de uma esquerda capaz de apresentar um novo projeto de Brasil. A sobrevivência do PT passa não pela queda do governo Temer, mas pela campanha de Lula para presidente em 2018, caso o petista consiga evitar sua condenação pelo Judiciário em duas instâncias. Lula já está em campanha, buscando as mesmas alianças sem princípios com setores oligárquicos que caracterizaram seu governo e o de Dilma – e que trouxeram o golpe. Com ele, apenas teremos mais do mesmo.  Torna-se urgente, assim, a definição de uma candidatura do PSOL que dispute o espaço de esquerda no terreno político, que as movimentações recentes de Lula vêm tentando ocupar.

Há hoje um consenso no PSOL em torno do nome do deputado Chico Alencar como candidato do partido à Presidência da República nas eleições de 2018. É urgente que o partido formalize esta definição – em acordo com o próprio Chico – e ponha militância e megafones em ação, para defender seu nome nos movimentos e na disputa política nacional

A derrota do governo Temer passa por massificar as lutas e derrotar as reformas ultraliberais. Ao mesmo tempo, exige uma crítica profunda do sistema político brasileiro e das relações promíscuas do empresariado com os partidos políticos: anistiar quem fez ou faz Caixa 2 significa, na prática, salvar o governo golpista.

É possível derrotar a reforma da Previdência e o governo Temer. E isso passa, agora, pela vitória da Greve Geral de 28 de abril!

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