Desafios do futebol brasileiro frente ao neoliberalismo

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Mariana Vantine

Muitos afirmam que o futebol não se mistura com política, mas a história mostra que os dois estão sempre ligados de alguma forma. Temos como exemplo recente em 2009 na Argentina, um movimento em favor da democratização da mídia protagonizado por torcedores. Aqui no Brasil tivemos a Democracia Corinthiana, personagens como João Saldanha, e nos últimos meses torcidas se mostrando contrárias ao Governo Temer. Vivemos um momento de crise no cenário político, no qual Temer tenta implantar uma série de medidas de cortes de gastos públicos, mas como isso afeta o futebol?

Vejamos primeiro o caso da Inglaterra, que durante os anos de Thatcher no poder teve o futebol impactado por suas políticas neoliberais. Seu governo conservador, com a flexibilização de leis trabalhistas e a redução de gastos estatais acabou fortalecendo Londres como centro financeiro e fechando várias fabricas, sobretudo nas cidades mais ao norte. A conjuntura política econômica levou a indignação de trabalhadores operários, que passaram a levar faixas de protestos aos jogos, travando assim uma luta entre governo e algumas torcidas. Com as tragédias de Heysel 1985 e  Hillsborough 1989, Margareth Thatcher se aproveitou da situação para criminalizar a torcida do Liverpool( cidade com forte movimento sindical de fábricas) e promover reformas nos estádios, transformando-os em arenas e extinguindo setores mais populares, além de impulsionar a criação da Premier League em 1992, campeonato patrocinado até 2016 pelo Barclays Bank.

Voltando ao nosso cenário nacional, as faces do futebol moderno ganharam força com a criminalização de torcidas e a vinda de mega eventos. A copa do mundo trouxe o “padrão FIFA” ao Brasil, o que acelerou o processo de “arenização” dos nossos estádios acompanhado da privatização destes. No Rio de Janeiro temos um exemplo concreto que evidencia a relação de um projeto excludente de cidade/estado, com um estádio elitizado.

Após o fim da geral, o Maracanã passou por mais uma reforma para receber a Copa de 2014. Além da redução de capacidade e mudanças estéticas, o novo modelo de estádio conta com uma série de restrições aos torcedores, provocando neles uma menos identificação com o lugar e o próprio futebol. Se trata de uma nova atmosfera em que o torcedor é obrigado a virar mero espectador. Para piorar a situação, o Maracanã passou recentemente por um longo período fechado e abandonado, na justificativa de não estar sendo lucrativo para a empreiteira responsável pela administração, e sem condições de ser devolvido ao Governo do Estado que se encontra falido.

O futebol representa a cultura de massas, jamais será bem aceito como um negócio financeiro. A prova disto são movimentos contra o futebol moderno que se espalham ao redor do mundo, inclusive aqui, como foi o caso da Frente Nacional dos Torcedores durante a copa, e atualmente via outras articulações de torcidas que vem buscando promover o debate. Portanto, não existe outra saída para salvar o futebol se não a mobilização nas arquibancadas. Se as classes dominantes insistem em criminalizar os torcedores, é porque sabem da ameaça que estes representam ao sistema.

Avante companheiros, ÓDIO ETERNO AO FUTEBOL MODERNO!

Mariana Vantine, militante da Insurgência, estudante de Economia na UFRJ e torcedora do Botafogo F.R.

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