Dia do índio: Temos o que comemorar?

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Gustavo Belisário

Desde muito antes da colonização europeia, a América Latina é povoada por diferentes culturas e falantes de diferentes línguas. Só no Brasil, estima-se que tenhamos quase um milhão de indígenas, de 305 etnias diferentes e falantes de 274 línguas. A história destes povos desde o início da colonização é permeada por genocídio, escravização, desrespeito e violência. A resposta dos povos indígenas é de muita luta nestes mais de 500 anos de invasão colonial. As retomadas Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e a luta contra Belo Monte são expressões do histórico protagonismo indígena contra a mineração, o latifúndio e a devastação da natureza.

O golpe parlamentar dado no Brasil ano passado e o governo ilegítimo de Temer também fazem parte de mais uma etapa desta história de violência. O golpe apoiado por ruralistas, fundamentalistas religiosos e capital financeiro também foi um golpe contra os direitos indígenas. Uma das primeiras ações de Temer no governo foi ameaçar revogar a demarcação de terras indígenas. Com o novo governo, foram criados Grupos de Trabalho para alterar demarcações de terra já existentes. O corte de gastos do governo afetou profundamente a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), debilitando a sua atuação na promoção dos direitos indígenas. Isso sem falar na visão deturpada e etnocêntrica do atual presidente da FUNAI, que disse que os indígenas não podem “ficar parados no tempo”, numa perspectiva de integração destes povos na cadeia produtiva destruidora e capitalista.

A perspectiva é ainda pior do que os treze anos de governo petista. Muitos foram os ataques durante os governos Lula e Dilma, partindo de um discurso de desenvolvimento nacional. A morosidade no processo das demarcações de terra nestes treze anos terão graves consequências agora que a linha ideológica do governo Temer envolve nenhuma demarcação. A partir deste neodesenvolvimentismo e neoextrativismo, foram implementados os mega projetos como Belo Monte. A política de apoio ao latifúndio e à mineração deixaram uma avenida aberta para a condução de uma política mais agressiva contra os direitos indígenas agora no governo Temer.

Entre os dias 24 a 27 de abril, diversas lideranças indígenas de todas as regiões do Brasil vão mostrar que não aceitarão o ataque a seus direitos pelo governo golpista. O acampamento Terra Livre, a ocorrer em Brasília, contará com muita articulação e luta do movimento indígena. Contra o latifúndio, séculos de colonização e genocídio e em apoio aos direitosapoiamos esta iniciativa!

Todo apoio ao Terra Livre!
Todo apoio aos indígenas!

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