Greve geral: enorme passo à frente contra as reformas de Temer. Temos que seguir mobilizados e organizados até derrotá-las!

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Executiva Nacional da Insurgência

Ainda faltam algumas horas para terminar o 28 de abril. Qualquer avaliação da dimensão, significado e impacto da Greve Geral é necessariamente muito inicial e imprecisa. Mas já é possível dizer que foi um movimento de protestos nacional muito maior e mais aguerrido que os dias de luta de março. Um enorme passo à frente contra as reformas de Temer e do capital. É necessário dizer também que foi muito mais pela adesão dos movimentos popular, estudantil e de juventude em geral, pela demonstração da disposição de luta, e pela sensível expressão da simpatia dos não organizados à greve, do que pela capacidade de mobilização do velho sindicalismo.

Houve paralisações e protestos em centenas de cidades: 185 segundo a insuspeita GloboNews. Provavelmente muito mais que isso. A paralisação da vida urbana e os atos centrais em São Paulo e Recife, por si só, multitudinários, comprovaram o acerto do chamado à greve. O tamanho e a sanha repressivos do governo estadual do Rio contra a possibilidade de que a capital fluminense fosse palco da maior manifestação contra Temer durante seu ilegítimo governo só comprovam o terror dos de cima.

A adesão das categorias fundamentais da infraestrutura, como rodoviários, ferroviários, metroviários e sindicatos da aeronavegação, asseguraram grande parte do clima de greve. E daí? Pra quem declama sem conhecimento histórico a cantilena de que “não vale contabilizar quem não foi trabalhar por falta de condução”, é preciso recordar que todo movimento grevista tem algo de arbitrário. É a arbitrariedade da classe trabalhadora se rebelando contra as seculares arbitrariedades a que é submetida.

O governo foi, desde já, obrigado a mudar de discurso. Se durante o dia, via o limitado ministro da Justiça, a administração temerária ensaiava fazer colar a narrativa de que o movimento foi um fracasso… de noite, restou a Temer lamentar os episódios no Rio e colocar o mesmo lamentável ministro para menosprezar o que houve de greve.

Colabora decisivamente para a impossibilidade de balanço rápido o fato de que as centrais sindicais – as entidades formalmente à frente do movimento – não terem constituído sequer comando capaz de monitorar os movimentos da tropa, muito menos de contabilizar baixas e vitórias.

De qualquer modo, o movimento popular, estudantil e sindical – em particular sua base e expressões organizadas de oposição à velha burocracia – deram demonstração de força. A queda-de-braço em torno da neoliberalização do trabalho e privatização da Previdência pública vai continuar. E o nosso lado está mais forte.

É preciso dar continuidade a esse 28 de abril inesquecível. Contabilizar feridos, compreender os acontecimentos em suas desigualdades e nos prepararmos para avançar mais passos, até a derrota das contrarreformas. Não é e não poderia ser fácil. Derrotar as “reformas” trabalhistas e da Previdência é derrotar Temer – porque elas são a razão de ser do golpe – e derrotar os planos do capital financeiro para o país. Esta é a singela tarefa posta diante de nós.

Trata-se agora de respirar fundo e pensar os próximos passos. Vai ser preciso muito mais que o 28 de abril para garantir nosso direitos e nosso futuro.

 

Executiva Nacional da Insurgência, 28 de abril de 2017

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