Insurgir como a Cabanagem contra o novo “Brigue Palhaço” de Temer

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Carlos Gouvêa

O tempo está apertado para nós que somos jovens, negros e negras, mulheres, lgbts. Para nós que somos a classe trabalhadora, que somos os 99% da população mundial. A conjuntura tem nos sufocado no convés de um barco (que decididamente nós vamos pular fora!) como bem memorou o texto de Luka Franca “Prisões arbitrárias e mortes indígenas: nosso “Brigue Palhaço” acontece agora” com um emblemático episódio da história paraense. E como amazônida, gostaria então dialogar com o texto desta autora, que como eu também é, cabana.

Poder reivindicar um único momento na história do Brasil em que o povo tomou o poder, mesmo que pelo curto período de dez meses não é algo simples e tão menos descompromissado. É necessário apontar e aprender com o passado e entender que precisamos agora revindicar não somente a história, mas ser a maré amazônida, que ocupa não mais 51% do território brasileiro, seremos a revolta amazônida pan americana que como a pororoca vai mudar os rumos dessas águas que jogam contra nós nessas ondas de retiradas de direitos.

Importante ressaltar que a Cabanagem e seu importante desdobramento histórico só se tornou possível devido a participação imprescindível da negritude, de indígenas e comunidades ribeirinhas, do contrário não haveria um feito histórico e possibilidade de estar no poder quem realmente o detém. Teríamos mais uma vez a história oficial onde a burguesia, fiel traidora da classe trabalhadora conduzira importantes passos, iluminados e seus seguidores. Mais uma vez a lógica nefasta da “história oficial” que não é feita por nossa gente, os que lutam diariamente pelo direito a vida e ao de viver ganharia seu espaço como é de costume, infelizmente. Tal qual as propagandas do Golpista Temer em que defendem a necessidade de suas reformas, não é esta história que queremos escrever e contar, a “dos de cima” reivindicamos a que de fato é.

Não nos cabe assistir os encontros das águas sem tomar parte ao lado daqueles que navegam nos inúmeros encontros de rios e suas águas como a greve geral do dia 28 de Abril de 2017, como as ocupações de escolas e universidades, como os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas que resistem bravamente pelo direito a terra e ao território. Não cabe a nenhum de nós, amazônidas, nordestinos, sulistas, sudestinos, candangos e qual denominação nos identificarmos, ficarmos apáticos a margem do rio que corre. Somos milhões de brasileiros e brasileiras, negros que sofrem com o racismo diário, LGBTs que tem seus direitos usurpados por piratas golpistas!

Como Acauã ou Uirapuru, cabe a todos e todas nós, anunciar a estes (os abutres da política) que seu tempo de cobiça aos nossos 3% de direitos, que nossos três por centos de água doce de todo mundo pertence a nós e somente a nós, os 99%, está acabando. Não haverá reforma da previdência, trabalhista, PEC 215 ou adiar eleições para manter agro empresários, madeireiros, latifundiários no poder, sem que organizemos setores indispensáveis a nova revolta que se apresenta e já começou, nossas tribos, uma a uma, nossas embarcações sejam canoas, navios ou rabetas, nossas benzedeiras e nossos pajés, nossos quilombos, nossas favelas, mulheres e LGBTS estaremos e já estamos apostos, estamos preparando e preparados para mais uma vez revivermos com sagacidade os mais cinquenta, cem anos de Cabanagem, até que mais uma vez a terra, o poder e os direitos sejam a quem de fato pertençam, o povo! Seremos incansáveis como botos e Iaras e com muito trabalho de base, suor e coerência política conquistaremos cada vez mais lutadores e lutadoras para mergulhar nessas águas profundas em defesa de nossos direitos.

E assim temos a certeza que nenhuma barragem, nenhuma barreira poderá impedir a força da correnteza daqueles e daquelas que lutam!

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