Intervenção militar não! Fora Temer. Diretas já!

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Mais de 100 mil pessoas marcharam em Brasília pelo Fora Temer e contras as Reformas da Previdência e Trabalhista. A reação do governo foi o bloqueio a que a manifestação chegasse na porta do Congresso Nacional e um aparato repressivo efetivo de quem se prepara para uma guerra civil. Por horas a manifestação enfrentou a repressão e, pela violência da repressão, acabou transbordando em todo tipo de reação, que chegou a depredação parcial dos prédios dos Ministérios. Enquanto isso, blindado pela polícia e de costas para o povo, a maioria da Câmara tentava fingir que o país está normal e buscava fazer a sessão funcionar. A oposição, com especial destaque a bancada combativa do PSOL, obstruiu, ocupou a mesa e impediu por diversas vezes o funcionamento da Casa.

O Ocupa Brasília, pela sua amplitude e combatividade, unindo as centrais sindicais, movimentos sociais, estudantis, partidos de oposição a Temer foi uma belíssima  demonstração de força contra um governo sem qualquer legitimidade para continuar no poder.

Porém, o mais grave veio no final da tarde quando inclusive a manifestação já caminhava para seu final. O presidente golpista, a pedido do corrupto presidente da Câmara Rodrigo Maia, decretou o uso das Forças Armadas no Distrito Federal entre hoje e 31 de maio, evocando a necessidade de ação de Garantia da Lei e da Ordem.

Isto é inaceitável, é um escárnio.

Um governo acuado que nitidamente se agarra a um poder para o qual não foi eleito, envolvido com denúncias evidentes de corrupção apela agora às forças nacionais de segurança para intervir e “proteger” o próprio Planalto. Este governo sangra numa hemorragia contínua, apodrece, mas usa das armas para tentar seguir para manter a ideia de votar as reformas que liquidam direitos da classe trabalhadora. Há outras razões tão asquerosas quanto essa, afinal, Temer teme a prisão e sabe que sem o foro privilegiado esse caminho pode ficar mais curto.

A queda de braço é evidente, os momentos são decisivos. O governo e o Capital não querem deixar de avançar sobre direitos. Na mesma tarde do Ocupa Brasília, no Rio de Janeiro, a maioria da Alerj aprovava a diminuição da aposentadoria dos servidores públicos e para responder aos protestos o mesmo método do terror de Estado: muita repressão. A pancadaria em Brasília e a repressão em solo carioca é outro exemplo de que Temer e seus governos aliados não tem nenhuma condição de seguir. Esta é a conclusão que podemos tirar do dia de hoje.

Não podemos aceitar qualquer intervenção das Forças Armadas, não podemos aceitar que qualquer votação que ataque direitos seja feita, nem mesmo se pode pensar em ter um Congresso votando qualquer medida enquanto estiver em vigência a ação de Garantia da Lei e da Ordem no Distrito Federal.

O dia 24 foi mais um grande ensaio para que se coloque um fim nessa agonia que é a permanência de um governo golpista e antipopular. Vai estar nas mãos da maioria do povo brasileiro a tarefa de derrubar o governo Temer, liquidar com a pauta das reformas regressivas e impor a antecipação das eleições, inclusive do Congresso Nacional, já que este agora apela, através da sua maioria, ao uso das Forças Armadas.

A segunda conclusão de ordem prática é que precisamos de uma nova greve geral, precedida de nova rodada de atos massivos nos estados, já em junho. É a paralisação da produção, dos transportes, do comércio. Como ficou nítido no 28 de Abril, esta é a arma mais efetiva que os trabalhadores podem usar para liquidar com esse governo e suas reformas.

Abaixo a intervenção militar, abaixo a repressão. Revogação imediata do decreto de ação de Garantia da Lei e da Ordem!

 

Fora Temer! Eleições diretas para presidente, deputados e senadores!

Revogação de toda a legislação antipopular votada nesta legislatura.

Fim de qualquer tramitação das reformas previdenciária e trabalhista!

Por uma nova greve geral, já em junho!

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Foto: Annelize Tozetto