Manifesto da Insurgência Pará

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Insurgência Pará

Belém do Pará, 23 de Fevereiro de 2017

A estrutura política do país remonta tempos históricos, cristalizando o processo de exclusão da região norte. Retomamos aqui uma das principais políticas de ocupação levada à cabo pela ditadura militar. Feita de forma irresponsável e negligente, a rodovia transamazônica, que pretendia integrar a região norte ao resto do país, varreu do mapa terras indígenas inteiras e sem nenhuma preocupação ou conversa prévia com a população. A política de “integrar para não entregar” considerava a região como um vazio de pessoas e de cultura, não reconhecendo a dignidade dos habitantes e verdadeiros senhoras da terra. Tal política nos mostra que o norte nunca foi prioridade, apenas produtor de matéria prima.

No mesmo ensejo, a Amazônia tem sido alvo de vários grandes projetos, que objetificam a região, tornando-a um laboratório de obras faraônicas. Nos dias de hoje, a capital do Pará, Belém, figura com o título da cidade mais violenta do país, abriga índices vergonhosos de violência contra mulheres, LGBTT’s e, particularmente, contra a juventude negra. O campo paraense amarga centenas de conflitos agrários, concetração de terras através da proteção estatal do latifúndio e o índice preocupante de assassinatos de trabalhadores, lideranças, religiosos, advogados, sindicalistas que derramaram seu sangue e deram sua vida pela causa da terra. Mesmo diante desse panorama, as gestões tucanas do estado e da capital, esta última de um prefeito cassado, seguem negligenciando política para esses setores.

Entendendo essa estrutura como resultado invariável de um sistema de produção capitalista, a Insurgência emerge no contexto amazônico como proposta de organização que pauta-se na construção de uma nova sociedade, marcada pela equidade de direitos entre homens e mulheres, direito para LGBTT’s, na superação do racismo e no justo acesso aos ônus e bônus da cidade, no acesso ao campo e na transposição do sistema de produção capitalista por meio da revolução socialista.

Na conjuntura paraense, a Insurgência pauta: o fim da violência contra a juventude negra e periférica, respeito à arte e cultura dos mesmos, ainda, seu acesso sobre a cidade. No campo pautamos: a resistência, demarcação e conquista de direitos de comunidades tradicionais indígenas, ribeirinhas, quilombolas, comunidades pesqueiras, frente aos ataques do governo golpista, bem como a redistribuição igualitária de terras e subsídios de produção e a superação do agronegócio, que é extensão do capitalismo no campo, fonte de degradação ambiental, conflitos e mortes por terras.

A todos aqueles que, inquietos, se insurgem contra o modelo falido e desigual do capital, a todos aqueles que tem seus direitos negados e suas figuras marginalizadas, a todos os insatisfeitos que anseiam por justiça. Estejam certos de que a mudança é possível e estamos aqui para ela.

Insurgência Pará

 

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