Manifesto de solidariedade a Andrei e de repúdio à LGBTfobia e à violência policial em Niterói

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A Insurgência se soma ao Manifesto, proposto pelas camaradas de Niterói.

Somos amigos e amigas de Andrei Apolonio dos Santos, de 23 anos, estudante de Artes da UFF que, ao tentar registrar a queixa do furto de um celular, acabou mantido em cárcere privado e submetido por mais de uma hora a torturas física e psicológica dentro da 81ª DP (Itaipu), na madrugada da quinta-feira (13/7). Andrei teve três dentes arrancados a socos e teve o corpo marcado por diversos hematomas e escoriações. Foi agredido por ser gay.

 

São acusados de toda essa violência um policial civil, como autor da sessão de espancamento, humilhação e ameaças de morte, e seu colega de plantão, que não participou, porém nada fez para impedir o crime hediondo. Manifestamos a nossa profunda solidariedade a Andrei e o nosso total repúdio ao crime cruel e de caráter LGBTfóbico cometido por agentes do Estado em serviço. Não podemos permitir que Niterói vire referência em LGBTfobia e em violência e em opressões promovidas pelo próprio Estado.

 

Era por volta das 4h e Andrei seguia de ônibus para casa, na Região Oceânica, depois de uma comemoração com colegas e professores na Cantareira, pelo final do primeiro período do curso de Artes na UFF. Dormiu durante a viagem e, quando acordou, percebeu que haviam furtado o celular de sua bolsa. Ao se dirigir à delegacia para o registro da queixa, encontrou a unidade fechada. Bateu à porta e foi atendido aos gritos e xingamentos — “gay, bichinha, viadinho” — pelo policial de plantão, que inicialmente ordenou que o jovem voltasse mais tarde. O estudante tentou ir embora, mas o policial mudou de ideia e o puxou pelo braço para dentro da unidade policial. Teve início, então, naquela que deveria funcionar como uma Delegacia Legal, uma terrível sequência de tapas, socos, estrangulamentos, xingamentos e ameaças. Andrei tentou fugir, mas foi alcançado e arrastado novamente para dentro da delegacia, onde a violência se tornou ainda mais intensa, com derramamento de sangue e a perda dos dentes. Segundo Andrei, um jovem de corpo franzino, o tempo inteiro o policial sorria e usava de deboches enquanto o agredia.

 

Em vez de registrar o furto do celular de Andrei, o quarto aparelho que lhe fora roubado  desde 2013, o policial fez um registro de desacato, resistência e desobediência contra o jovem

e ainda tentou obrigá-lo a assinar um falso depoimento sem a oportunidade de lê-lo. Por volta das 5h, o policial, de touca, cavanhaque grisalho, alto e corpulento, encerrou a sessão de torturas e espancamento, telefonou para alguém a quem alegou “ter sido obrigado a usar de energia” para conter o jovem e em seguida chamou a PM para que ele fosse levado a um hospital. Na viatura, com dois PMs, o policial civil seguiu no banco de trás, segurando com força o braço esquerdo de Andrei, que foi apresentado como suspeito de crime à equipe do Hospital Municipal Mário Monteiro, em Piratininga. Acuado e com medo de morrer, o estudante desistiu de permanecer no hospital e só foi liberado mediante grave ameaça: o policial avisou que se fosse denunciado “não pensaria duas vezes antes de descarregar um pente inteiro” para a sua execução.

 

Andrei denunciou o caso à Corregedoria Geral Unificada (CGU) e à Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol). com o acompanhamento das Comissões de Direitos Humanos da Câmara de Niterói e da Alerj. Também acompanham o caso o Rio Sem Homofobia, o Núcleo de Diversidade da Defensoria Pública Estadual, o DCE da UFF, a Reitoria da UFF, o Grupo GDN, as Coordenadorias de Direitos Humanos (CDH) e dos Direitos Difusos e de Enfrentamento à Intolerância Religiosa (Codir) da Secretaria de Assistência Social de Niterói, diversos mandatos parlamentares municipais, estaduais e federais.

 

Convocamos a população, o poder público e todos os movimentos e organizações que lutam em defesa dos direitos humanos e contra toda forma de opressão a assinar este nosso manifesto e a participar conosco de um movimento amplo e suprapartidário pelo fim da violência policial, da LGBTfobia e de todas as formas de opressão na nossa cidade. Vamos para as ruas gritar o nosso BASTA! Na quinta-feira 27/7, às 16h, vamos nos concentrar na Praça Arariboia e, às 17h, vamos partir em caminhada até a Praça da Cantareira, em frente ao campus da UFF no Gragoatá. A participação de todos e todas nesse movimento é fundamental!

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