O golpe de mestre dos irmãos Batista

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Caio Zinet

A JBS foi fundada pelo pai dos irmãos Batista, José Batista Sobrinho, na década de 50 como um frigorífico em Anápolis, interior de Goiás. O primeiro empurrão para o crescimento da então pequena companhia ocorreu durante a construção de Brasília quando montou uma estrutura para fornecer carne para os trabalhadores que construíram a capital do país. O segundo empurrão foi dado pelos governos petistas que emprestaram dinheiro a rodo, via BNDES, que tornou-se sócio minoritário da companhia, em uma operação que segundo a revista Piauí deu um prejuízo bilionário para o banco de investimento brasileiro (http://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-estouro-da-boiada/).

O resultado todo mundo conhece: a empresa nos últimos anos a empresa se tornou a maior processadora a maior processadora de carnes do mundo. A companhia atua em 22 países de cinco continentes (entre plataformas de produção e escritórios) e atende mais de 300 mil clientes em mais de 150 nações. A companhia abriu seu capital em março de 2007.

As denúncias sobre as péssimas condições de trabalho cresceram tanto quanto a empresa. O Ministério Público do Trabalho entrou e ganhou duas ações contra a empresa. A primeira por desrespeito as jornadas de trabalho, intervalos e descansos semanais e por obrigar os funcionários a trabalharem em um ambiente  com ruído excessivo, máquinas e equipamentos que oferecem risco à saúde e à segurança e por oferecer comida contaminada com larvas para os funcionários. O outro, pelo descuido com a saúde de seus trabalhadores, por não tomar medidas básicas de monitoramento e segurança em relação ao reservatório para refrigeração por gás amônia, neste caso, o juiz Juliano Girardello destaca que “fiscais detectaram forte cheiro deste produto químico na sala de máquinas”.

Os trabalhadores da empresa fizeram um vídeo ironizando as propagandas da empresa:

A JBS pagou direitinho o preço de todos esses empréstimos e foi a maior doadora oficial de campanha eleitorais. Só em 2014 foram quase R$ 300 milhões para vários partidos em vários estados do país. Obviamente que tinha caroço no angu e a Policia Federal montou operações para pegar os esquemas da empresa.

Os “caipiras” irmãos Batista, no entanto, foram mais espertos que as empreiteiras. Ficaram sabendo sabendo que seriam investigados pelas operações Lava Jato e Greenfield. Os irmãos compraram um procurador que avisava sobre as investigações e quando viram que o negócio ia apertar e fizeram a delação entregando todo mundo e fizeram as já famosas gravações com Temer e Aecio.

Em um primeiro momento a JBS afirmou que a pena da delação seria uma multa de R$ 200 milhões. Muito dinheiro ne? Não para os irmãos Batistas. No dia anterior eles sabiam que a delação seria vazada e que, consequentemente a bolsa despencaria e o dólar subiria. Eles pegaram entre R$ 750 milhões e R$ 1 bilhão e compraram dólares na noite anterior ao vazamento das denúncias.  Resultado, ganharam aproximadamente R$ 160 milhões (http://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/ganho-da-jbs-com-compra-de-dolares-e-mais-que-suficiente-para-pagar-multa/).

Para completar um mês antes do vazamento eles venderam R$ 300 milhões em ações que tinham da empresa. Ou seja, nessas duas operações eles ganharam o suficiente para pagar essa multa. Sem prisão, sem fechamento de empresa, sem nada além dessa multa que eles mesmo conseguiram pagar com essa jogada do dólar acusada pelo impacto da denúncia que eles mesmos fizeram. Dois dias depois, o MPF veio a público negar que tenha chegado a um acordo sobre o valor da multa, mas independente disso eles ganharam quase meio bilhão de reais com a jogada que eles mesmo criaram.

E por último, mas não menos importante, a operação comercial deles é quase toda nos Estados Unidos. Segundo o jornal Valor Econômico, “a maior parte das operações do JBS — quase 80% — já estão no exterior hoje. Nos Estados Unidos são 56 fábricas de processamento de carne e quase metade das suas vendas globais. A empresa tenta a anos deixar de ser fundamental brasileira. “Em dezembro o grupo aprovou a realização de um IPO na Bolsa de Nova York, num amplo processo de reorganização que levará o grupo a deixar de ser essencialmente brasileiro. A empresa que abrirá o capital é a JBS Foods International, com sede na Holanda, e que deterá todos os negócios internacionais da JBS e da Seara. Ainda no ano passado, o grupo tentou migrar sua sede para a Irlanda, como parte desse plano, mas a rota teve que ser alterada por oposição do BNDES e quando o Brasil passou a considerar aquele país um paraíso fiscal”, concluiu a matéria do Valor (http://www.valor.com.br/politica/4972876/analise-joesley-rifou-brasil-para-garantir-migracao-da-jbs-aos-eua).

Ou seja, o pequeno frigorífico cresceu, se tornou a maior do mundo comprando empresas com grana do estado, deletaram, pagaram multa com dinheiro que ganharam como efeito da delação que eles mesmos fizeram e tão lá morando felizes da vida nos Estados Unidos comendo pipoca e vendo o que tá acontecendo no país. E ainda tem que grupos e partidos de esquerda que saem correndo para defender as empresas nacionais porque acreditam que a elite brasileira tem alguma espécie de projeto nacional de desenvolvimento.

Caio Zinet é militante da Insurgência em São Paulo.

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