O parafuso do golpe deu várias voltas hoje

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Renato Roseno

O parafuso do golpe deu várias voltas hoje. O “mercado” (essa entidade que parece abstrata, mas cujo poder é material e concreto, embora de um setor muito restrito) comemorou. Foram os proprietários corruptores que sorriram hoje. Junto deles, a mídia corporativa que se esforça para dar ares de legitimidade a mais um exemplo da seletividade secular do nosso sistema de justiça criminal. Não era surpreendente, mas sempre é revoltante e merece nossa mais profunda crítica.

Digo isso como alguém que não vota no PT em eleições presidenciais desde o segundo turno de 2002, de um partido que desde a fundação faz duras críticas ao petismo, à sua conduta e suas alianças – que têm grande parcela de responsabilidade na trajetória que vivemos nos últimos quinze anos. Os setores econômicos que instrumentalizam sua agenda política via Judiciário e mídia não querem mediação. O resultado de hoje foi milimetricamente pensado. Temer, Aécio e tantos outros seguem sem ser julgados, o que comprova que o sistema não está preocupado com a redução da corrupção e maior integridade. A “lei” não vale para todos. É ingenuidade não perceber isso. Querem política de terra arrasada e total segurança no processo de destruição da economia nacional e do que resta do parco estado social para a implementação de uma agenda ultraliberal, sem mediações.

Votarei no candidato do PSOL para a Presidência, mas não posso deixar de registrar, com enorme repulsa, que tirar o Lula das eleições de 2018 no tapetão é um violento e vil movimento dos plutocratas e proprietários. Nossa agenda não é a busca eterna de salvador, não se apaga a memória dos erros do passado. Por outro lado, não pode ser a desistência frente aos plutocratas. Estamos no fio da navalha. É preciso muita manifestação popular contra a regressão democrática, contra a destituição dos direitos sociais. A burguesia quer instituir um totalitarismo de mercado – sem direitos, sem democracia. Para isso, querem aprovar as anti-reformas (já foi a trabalhista e este ano segue em pauta a previdenciária) e definir agora o resultado das eleições de 2018.

Nossa tarefa imediata é defender a democracia e, simultaneamente, construir um caminho, que não é fácil, de defesa e construção de profundas mudanças sociais. Temos que fazer isso já, nas ruas!

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