Os cravos ainda revolucionam-se

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Carlos De Nicola

Despem-se em pétalas ágeis e se espalham pela cidade. O 25 de Abril de 2017, em Lisboa, foi comemoração e permanente balanço dos últimos anos da política portuguesa. Também, como não poderia deixar de ser, da atribulada conjuntura política mundial.

O dia da Revolução dos Cravos é esperado, preparado e muito comemorado. A Avenida da Liberdade tomou-se de manifestantes, centenas de milhares, que marcharam o mesmo trajeto dos militares do Movimento das Forças Armadas, quarenta e três anos atrás, em 1974, a libertar o país do fascismo.

Hoje, quando ouvimos as palavras de ordem a dizer que o 25 de Abril é sempre e que o fascismo para nunca mais, não são apenas menções históricas nem conexões factuais mas clamor contra a intolerância em oposição à pobreza material e espiritual e aos vários autoritarismos que ainda se perpetuam em Portugal.

Não podemos esquecer que há poucos anos o país estava sob um governo de direita que jogava o jogo da Troika – Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia – mais do que seus próprios reguladores. Era um passatempo de quem perdia mais, ou seja, o povo, os aposentados, os trabalhadores registrados ou não, os jovens e os mais pobres. Poucos ganharam.

Agora, sob a égide de um governo de centro-esquerda, capitaneado pelo Partido Socialista e apoiado pelo Partido Comunista Português, Partido Ecologista “Os Verdes” e Bloco de Esquerda, uma centelha toma conta da Península Ibérica. Difícil será incendiar uma Europa influenciada pelos Estados Unidos a caminhar juntos para um fascismo modernizado com novos alvos e mesmas armas.

Mas tentamos. Lado a lado no Oceano, porque o Brasil, apesar das circunstâncias temerárias, dia 28 de Abril de 2017 fez uma Greve Geral ímpar na sua história. Os movimentos sociais estão fortalecidos e embalados pelos ventos nada dóceis de Junho de 2013. O governo golpista, a mídia manipuladora e o empresariado mesquinho tem muito o que temer.

Nossas palavras de ordem, nessa sexta-feira, no Brasil, tiveram um sotaque diferente daquelas da última terça-feira, 25 de Abril, em Portugal. Temperadas, balançadas mas por igual contestatórias. A jogar a mesma brincadeira de questionar sem temer, de dançar na cara dos opressores prepararando, em breve, nossa festa. Se não dos Cravos, de Ipês-Amarelos, Mangueiras, Sibipirunas, Flamboiãs e Ipês-Rosa.

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Preparação do Bloco de Esquerda na Avenida da Liberdade. NATO é o que chamamos de OTAN.

 

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Bloco de Esquerda durante a manifestação. Da esquerda para a direita, a segurar a faixa azul, em segundo lugar Joana Mortágua, deputada nacional do Bloco de Esquerda, em quarto lugar, Ricardo Robles, candidato à Câmara Municipal de Lisboa e militante da Quarta Internacional e, em quinto, Catarina Martins, deputada nacional do Bloco de Esquerda e liderança dessa mesma organização.

 

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Banda à manifestação.

 

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Grupo Baque do Tejo

 

 

 

* Carlos De Nicola é militante da Insurgência e está estudando e morando em Lisboa, Portugal.