Temer não quer renunciar: É O POVO QUE TEM QUE DERRUBAR!

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Fora Temer, eleições diretas para presidente, deputados e senadores. Revogação de toda a legislação antipopular votada nesta legislatura.

Apesar de todas as evidências, Michel Temer reluta em renunciar. Já trabalhavam por sua saída voluntária, na quinta, 18, importantes setores do empresariado e sua representação política, inclusive partidos da base do governo. A teimosia do golpista vai custar o agravamento ainda maior da crise política-institucional.

O megaterremoto de incertezas provocado pela revelação das gravações feitas pelo “rei da carne” Joesley Batista, dono da JBS – com o presidente golpista mandando pagar mesada para manter o valiosíssimo silêncio de Eduardo Cunha –, já está, em menos de um dia, provocando prejuízos milionários aos negócios da burguesia. A Bolsa de São Paulo já disparou seu primeiro circuit break (mecanismo que a paralisa, para que o índice não despenque a menos de 10%), o dólar dispara e as ações de multis brasileiras nos mercados internacionais se desvalorizam.

Entre Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, São Paulo, Rio, Porto Alegre e Curitiba, as movimentações da elite econômico-política por uma saída “sua”, controlada, conservadora, são velozes. Não à toa Ricardo Ferraço, relator da contrarreforma trabalhista no Senado, anunciou sua suspensão para que seja priorizada a “solução da crise institucional”, movimentação tática para evitar que a aprovação da medida seja colocada em xeque.

O país parece sem governo. Será que parece apenas?

O sistema financeiro insiste que o importante é manter o sinistro Henrique “Reformas” Meirelles. Cresce o nome de Meirelles, ex-CEO do Bank of Boston e ministro também de Lula, inclusive para presidente da República. Outra ala – talvez mais consciente de este território viveu a maior greve geral da sua História no último dia 28 de abril – aposta na imagem menos comprometida da ministra Carmen Lúcia, presidente do STF. O PSDB ou o que resta dele apressou-se em “sair” de um governo que já não existia para propor um impeachment fast track e agilizar as eleições indiretas para o substituto, ou seja, para que o próximo mandatário seja eleito pelo suspeitíssimo Congresso atual.

Mais uma vez, diante de um momento crítico, a burguesia oligárquica do país demonstra sua pequenez e aversão constitutiva à participação popular no processo político. Dessa gente, não se pode esperar que cogite o óbvio: levar a voto e fazer aprovar a emenda constitucional que garanta de imediato as eleições diretas antecipadas para presidente da República, tal como já manifestaram que desejam 85% dos brasileiros em pesquisa de opinião recente (anterior ao terremoto atual).

A crise chegou a tal ponto, permeia de tal modo o conjunto das instituições do sistema político, no entanto, que não é suficiente mudar apenas o ou a ocupante do Planalto. A necessidade do finado governo – evidenciada nos áudios de JBatista – de calar Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e rei do “baixo clero”, pela bagatela de pelo menos R$ 480 milhões, colocou sob suspeita as duas casas do Congresso e seus esquemas.  Não é preciso ser muito versado em política para imaginar quais são os segredos do ex-chefe político do PMDB do Rio de Janeiro, tão aliado a Sergio Cabral e a pastores evangélicos de todo tipo.

Novas eleições para Câmara e Senado, agora sem financiamento empresarial, são um passo fundamental para um início de “limpeza” democrática, isto é, redução do nível de compromisso de deputados e senadores com grandes corporações e empresas corruptoras. Elas são fundamentais também porque o atual Congresso, com maioria sob suspeita, não tem autoridade moral para levar adiante votações da dimensão da PEC que congelou gastos por 20 anos, da reforma trabalhista, das terceirizações, e agora da Reforma da Previdência. Para que se revoguem todas as leis antipopulares que se votaram na atual legislatura – em que grande parte dos políticos teve conluio com empresas corruptoras  – é preciso parar este Congresso e fazer novas eleições parlamentares.

Nada disso será conseguido, no entanto, sem povo na rua, sem trabalhadoras e trabalhadores mobilizados, sem a juventude, as mulheres, a comunidade LGBTI, os sem teto e sem-terra, sem as quebradas e as favelas em ação. Se o andar de baixo não se torna agente político neste momento histórico, a já comprovada natureza autoritária das oligarquias/burguesias do país vai levá-las a encontrar uma “saída” por cima, conservadora, de costas para o povo. Fundamental estar, portanto, desde já nas ruas, em todas e cada um dos atos pelo fim do governo Temer, e na organização de mobilizações cada vez maiores. É preciso e possível, dada a força do 28 de abril, participar e impulsionar os atos destes próximos dias em todo o país, construir o Ocupa Brasília, no dia 24, e uma nova greve geral para as próximas semanas, para barrar a Reforma da Previdência e para derrotar a agenda neoliberal. Mas também para começar a construir na luta, nas ruas, uma saída à esquerda para esta crise, que comece por novas eleições para presidente, deputados e senadores. O povo tem que decidir: DIRETAS JÁ!

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