Temer só cairá com povo na rua: manter a greve geral no dia 30!

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Embora a crise político-institucional de longo prazo esteja longe de um desfecho, ficou evidente nos últimos dias que a ausência de ações mais contundentes do movimento social contra as reformas ultraliberais – depois da marcha a Brasília de 24 de maio – tem dado fôlego àquele que hoje talvez seja o governante mais desgastado do planeta.

Soma-se à “trégua” inconveniente a preferência da maioria do empresariado no Brasil em manter Temer, mais por falta de alternativa do que por entusiasmo. Afinal, além de  muito dividida quanto aos arranjos e nome para substituir o mandatário evidentemente involucrado em atividades suspeitas, a burguesia – com o capital financeiro na dianteira, como não poderia deixar de ser nestes tempos – teme acima de tudo a não aplicação da agenda do ajuste. Antes as reformas, comprova o rumo adotado pelo “ficante” PSDB, do que uma “limpeza ético-democrática” que ameace o programa político-econômico neoliberal e conservador.

Assim, com a atuação decisiva do suspeito magistrado-empresário Gilmar Mendes, o TSE salvou Temer da cassação e deixou nas mãos do Congresso não menos suspeito a prerrogativa de aceitar ou não a denúncia do Procurador-Geral Janot: aquela relativa às propinas da JBS para o PMDB e para calar Eduardo Cunha, que o país todo conhece pelas gravações de Joesley Batista. Com magistrados, deputados e senadores morrendo de medo do mesmo indiciamento e cadeia que assombra o presidente da nação, é fácil medir a dimensão da margem de manobra de Michel para negociar que o baixo clero do Congresso vote a recusa de sua própria denúncia.

É evidente que, ainda que se safe de todos os percalços, e chegue a 2018, Temer no Planalto só significará um jorro de gasolina permanente sobre o fogo da crise. O problema é que, ficando, Temer garante as contrarreformas contra tudo e contra todos, especialmente contra os mais vulnerávies – trunfo que negocia com o empresariado ansioso.

E este é ponto crucial da questão para trabalhadoras, trabalhadores e o movimento social em geral: é preciso agir agora para impedir que se conclua o grande acordo antipopular, capitaneado pelas cúpulas do PMDB, do PSDB e da banca, para manter Temer no poder e por em prática a Reforma Trabalhista e da Previdência.

Por alguma razão pouco nítida quando fechávamos este editorial, dirigentes do movimento ligados ao PT, mais exatamente a CUT, estavam recuando da realização da greve geral no dia 30 de junho. Cutistas argumentavam no movimento que perderia sentido a paralisação do dia 30 tendo em vista que a Reforma Trabalhista seria votada dia 28. Num raciocínio incompreensível para os trabalhadores de base, ao invés de trabalhar pelo adiantamento do movimento grevista, pareciam entregar os pontos antes do combate. Óbvio que, como no dito popular, há carne por baixo deste angu: até onde vai a participação do PT nesse grande acordo?

A atitude requerida das lideranças do movimento neste momento delicado e decisivo da conjuntura é exatamente a oposta a esta! Não é hora de recuar.

Para barrar a total destruição das leis trabalhistas e da Previdência Social, é preciso mais do que repetir o êxito de 28 de abril. Precisamos de um movimento ainda mais forte, pelo simples motivo de que a voracidade, violência e disposição repressiva do capital e seus governos nesta época são enormes. É necessário manter e intensificar todos os preparativos, nos locais de trabalho, moradia, nos sindicatos, escolas e universidades. Construir um grande ensaio da greve geral no dia 20 de junho e manter a convocatória da paralisação no dia 30.

É preciso democratizar a construção da greve, com a formação de comitês locais que associem sindicatos, frentes, movimento estudantil e movimento popular. O momento é de intensificar uma ampla frente única capaz de combinar atos e manifestações estaduais massivas com a greve geral para apressar a saída de Temer, barrar as reformas, barrar a repressão e os massacres e garantir que a sucessão seja pela via da antecipação das eleições diretas.

Não há nenhuma contradição ou oposição entre lutar contra as reformas de Temer, organizar, preparar e fazer a greve geral e participar do movimento pelas Diretas Já! – aliás os dois movimentos podem se somar e se potencializar, porque visam a tirar da frente o mesmo governo e o mesmo programa neoliberal de ajuste e fome e porque a questão central é política: trata-sede derrubar esse governo e oferecer uma saída democrática onde o povo decida e escolha o próximo ou próxima presidente este ano. Portanto, não tem nenhum cabimento se valer do movimento crescente pela Diretas Já para desmontar a greve do dia 30.

Fora Temer e Diretas Já! expressam um anseio democrático amplamente majoritário na sociedade brasileira e redefinem a saída política para a crise, em contraposição aos arranjos interburgueses – hoje particular e de forma objetiva contra o “acórdão” em curso que está prejudicando inclusive a greve geral e que supõe com certeza nenhuma participação popular.

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