Vamos! O novo desafio da esquerda socialista.

21056282_1992841050986911_438454599286289773_o

Com a presença de 500 pessoas no Largo da Batata em São Paulo e transmissão online nacional, foi lançado o ciclo de debates Vamos! Sem medo de mudar o Brasil, organizado pela Frente Povo Sem Medo. A proposta é fazer debates nacionais e locais, entre os meses de agosto e novembro, reunindo qualquer um(a) que esteja disposto(a) a debater programa em praça pública, em torno de eixos como a democratização da economia, da política, da educação, da saúde, dos territórios e do meio ambiente e, ainda, sobre um programa negro, feminista e LGBT para o próximo período. A plataforma do Vamos (www.vamosmudar.org.br) é acessível a qualquer um/a que queira fazer contribuições para qualquer um dos eixos temáticos pela internet e acompanhar os debates online.

O lançamento do Vamos contou com a presença de Guilherme Boulos do MTST; Leonardo Sakamoto, jornalista e cientista político; Sonia Guajajara, líder indígena e coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil; Marcelo Freixo, deputado estadual pelo PSOL RJ; Luiza Erundina deputada federal pelo PSOL SP; Dríade Aguiar, da Mídia Ninja e Eduardo Suplicy, vereador pelo PT SP.

A inciativa do Vamos nasceu de discussões na Frente Povo Sem Medo sobre importância e a necessidade de avançar no enraizamento da Frente, que impulsiona iniciativas como os “Bairros sem Medo”, e na formulação de um novo programa para o Brasil, que possa apresentar alternativas diante da falência da estratégia de colaboração de classes e da necessidade de disputar saídas para a crise pela esquerda, pelos de baixo.

Isso ganha ainda mais importância se considerarmos que desde o golpe parlamentar de 2016, os sinais de um novo momento para a reorganização da esquerda brasileira tornaram-se ainda mais evidentes. Esgotou-se um ciclo de governos de colaboração de classes e a possibilidade de que por essa via, hegemonizada pelo PT, seja possível avançar nas profundas mudanças sociais que o Brasil precisa.

Uma das resultantes desta nova conjuntura foi a crise profunda aberta em setores hegemonizados historicamente pelo petismo, dirigentes, setores e bases sociais. Esta crise se traduziu em um maior diálogo com parte de setores críticos, tanto com o PSOL como com a Frente Povo Sem Medo, expressando essa nova fase de uma reorganização que chacoalha todos os setores da esquerda brasileira após o esgotamento do modelo lulopetista.

O fortalecimento de iniciativas como as da FPSM no movimento e a afirmação partidária do PSOL neste período provocaram reações variadas no campo majoritário do petismo. Primeiro, as provocações de Lula ao PSOL; depois, uma campanha anti-VAMOS de setores mais alinhados com a direção lulista. Assistimos a demonstrações de intransigência deste campo político ao amplo debate com a vanguarda sobre balanço dos recentes governos, do golpe e sobre quais devem ser os compromissos políticos e programáticos para o próximo período. Mas após o resultado da potência desta iniciativa como polo de aglutinação,  o campo majoritário petista tomou uma recente decisão de participar do ciclo da VAMOS. Com isso, abriram-se dúvidas e críticas, em boa parte muito sectárias, ao Vamos; como se a esquerda marxista revolucionária devesse fugir de debates de programa ou fechar-se em seus pequenos círculos, justamente no momento histórico em que está em debate um novo programa e uma nova estratégia para a esquerda brasileira.

É exatamente por conta da amplitude dessa iniciativa e dos seus possíveis desdobramentos futuros que o campo majoritário do lulopetismo correu atrás para conseguir seu lugar nas mesas de debate, mesmo sabendo que não há hipótese desta iniciativa se pautar por apoio a Lula em 2018.

Não temos medo de debater com quem quer que seja no âmbito da esquerda. Exatamente os setores da esquerda socialista que estiveram na oposição de esquerda coerente, política e programática aos governos do PT, sem se confundir com a maré direitista que levou ao golpe parlamentar, são os que estão em melhor localização para apostar numa reorganização programática e estratégica, que inevitavelmente vai ocorrer na esquerda nos próximos anos.

O primeiro problema, então, é definir onde cada setor vai estar diante de debates que vão encarar de frente os desafios de construir programa, estratégia, enraizamento social, novos instrumentos e formas de fazer política.

Da nossa parte, queremos contribuir com a ideia de que é preciso abandonar a estratégia de conciliação de classes. Para tal, apoiamos a metodologia de um programa construído por vários atores e setores, levando a sínteses conduzidas pela prática e formulação que cada setor da esquerda tem para uma efetiva superação do lulopetismo, da sua lógica conciliadora e de governabilidade que levou ao desastre de 2016.

Vamos defender um programa que acabe com a subordinação ao capital financeiro, que rompa com os monopólios capitalistas, com o agronegócio, o desmatamento, ao extrativismo predador.  Um outro “modelo” econômico anti-capitalista que coloque a questão sócio-ambiental no centro deste projeto é uma das ideias que queremos apresentar.

Vamos lutar por um programa que seja portador da esperança e das bandeiras que façam o acerto de contas com a questão racial e patriarcal, para que a esquerda entenda enfim que as demandas de negros, negras, mulheres e LBGTs são estruturantes para um programa que se pretenda ser levado a sério com transformador da estrutura social no país.

Vamos defender propostas na direção de uma profunda democratização do poder, com democracia real e direta e participação popular, pois a falência moral e política da corrompida Nova República coloca a necessidade de apontarmos outra institucionalidade para o Brasil, e que seja o extremo oposto das saídas reacionárias e autoritárias que começam a ganhar peso na sociedade. Democratização do poder que não será possível sem uma profunda democratização dos meios de comunicação e o confronto aberto com os monopólios golpistas da mídia.

Vamos contribuir para que a primeira síntese deste ciclo de debates que se encerra em novembro tenha como primeiro compromisso defender em alto e bom som que o ponto número 1 desse programa será a revogação de todas as reforma e atos regressivos do governo Temer.

Vamos sem medo de debater o Brasil e um programa de mudanças e transformação social, que recoloque no horizonte a ideia das profundas reformas populares em ruptura com o capitalismo, que contribua para recolocar as ideias socialistas no imaginário e na ação concreta do povo explorado, cada vez mais precarizado e sem direitos no país.

Este é um desafio para muitos anos, mas as sementes estão sendo lançadas agora.

21056282_1992841050986911_438454599286289773_o