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Armagedom climático também nos incêndios na Califórnia

· Ecologia,Sem Fronteiras,Últimos artigos

Depois dos incêndios da Austrália no início do ano e daqueles que vem devastando as florestas boreais da Sibéria (permanecendo larvares no subsolo durante o inverno), a temporada do fogo na Amazônia - promovida pelo agronegócio - está sendo acompanhada pelos maiores incêndios da história da Costa Oeste dos Estados Unidos, de Washington à Califórnia. Os céus das cidades dessa região ganharam tons que iam do laranja brilhante à escuridão em pleno final das manhãs da última semana.

A crise climática está nos brindando esses dias, com algumas estampas que certificam até que ponto nos dirigimos para os piores modelos projetados por cientistas que avaliam e alertam os efeitos do aquecimento global.

José Luis Gallego, La Vanguardia/IHU-Unisinos, 8 de setembro de 2020. A tradução é do Cepat.

O governador do estado e ex-prefeito de San Francisco, o democrata Gavin Newson, ampliou a declaração do estado de emergência, neste domingo, em meio ao espetacular dispositivo de resgate organizado pela Guarda Nacional, uma vez que os meios de extinção foram vencidos pela virulência e a velocidade da propagação das chamas.

Nenhum roteirista de Hollywood poderia ter imaginado imagem mais apocalíptica do que a dos poderosos helicópteros de combate do Exército estadunidense evacuando os mais de duzentos cidadãos resgatados da linha de fogo e que, amontoados dentro da aeronave, com roupas chamuscadas e o olhar perdido, eram a imagem viva do terror.

Um espanto que é apenas o início da tradicional "temporada de incêndios" (conceito horrível) que costuma ocorrer naquela parte dos Estados Unidos, entre outubro e novembro. É que o clima da Califórnia está se aquecendo a uma taxa muito maior do que no restante do país.

Após bater o recorde de altas temperaturas desde que se tem registros, há algumas semanas, com quase 55 graus marcados no Parque Nacional do Vale da Morte, no sul do estado, os termômetros hoje batem recordes dia após dia nos municípios do norte, incluindo a cidade de Los Angeles onde, rodeada de incêndios e com um ambiente irrespirável, este fim de semana passado atingiu os 46 graus.

Com quase um milhão de hectares destruídos pelo fogo, milhares de casas queimadas, cortes de energia sem fim e populações inteiras evacuadas, o estado mais populoso e rico dos Estados Unidos (considerado a quinta maior economia do mundo) sofre a pior onda de incêndios de sua a história e confronta o que, nas palavras de seu próprio governador, é “o pior inimigo de nossa população e a maior ameaça à nossa economia: a mudança climática”.

Paisagens devastadas, perda massiva de biodiversidade, ecossistemas florestais destruídos, milhares de pessoas deslocadas, cidades, urbanizações e vilas inteiras em chamas, nuvens de cinzas gigantescas escurecendo o céu e se movendo para o México para cair em Tijuana...

O impactante vídeo gravado por Jeremy Remington, uma das mais de duzentas pessoas evacuadas na área do reservatório Mammoth Pool (Fresno), ao sul do Parque Nacional de Yosemite, mostra a tragédia que está sendo vivida atualmente na Califórnia, onde a população enfrenta um verdadeiro Armagedom climático.

Os Estados Unidos e o Acordo de Paris
Diante das imagens que nos chegam, as palavras de Sir David Attenborough, popular divulgador ambiental da BBC, que aos 94 anos continua a nos alertar para o grave risco que enfrentamos como espécie, parecem mais uma profecia do que um aviso: “Se não tomarmos medidas drásticas e urgentes - declarou em um de seus últimos discursos à ONU -, o colapso de nossa civilização e a extinção de grande parte do mundo que conhecemos está no horizonte... o tempo está se esgotando”.

Mesmo assim, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua a alardear seu negacionismo em comícios de campanha, enquanto o candidato democrata Joe Biden, para quem a mudança climática é "o maior inimigo da América", anuncia que com ele na Casa Branca, os Estados Unidos retornarão ao Acordo de Paris e alcançarão uma economia neutra em carbono antes de 2050.

Esperemos que a razão climática prevaleça no resultado dessas importantes eleições para a Califórnia e o resto do mundo.

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