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Construídos 380 campos de detenção para uigures na China

Até agora, organizações de direitos humanos calculavam existir 150 campos para a etnia. Relatório australiano revelou que o número é bastante superior. Pequim nega

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Esquerda.net, 25 de setembro de 2020

A província de Xinjiang, no Noroeste da China, é o lugar onde o regime do Partido Comunista Chinês construiu 380 campos de detenção para membros da minoria muçulmana uigur, revela agora um novo relatório do Instituto Australiano de Políticas Estratégicas (ASPI), noticia o jornal Público.

Segundo os cálculos da Organização das Nações Unidas, mais de um milhão de uigures estão detidos arbitrariamente nestes campos de trabalhos forçados, cuja produção de algodão é utilizada em cerca de 20% da roupa comercializada em todo o mundo.

A repressão e controlo da população uigur tem aumentado exponencialmente nas últimas décadas, com o regime a recorrer a mecanismos de controlo e criminalização de comportamentos, ideias ou associação, através de vigilância digital e algoritmos preditivos, resultando no internamento forçado de cada vez mais uigures.


Trabalho forçado uigur na China produz uma em cada cinco peças de roupa vendida no mundo
Pequim rejeita esta leitura, definindo estas instalações como campos de “reeducação” e “reintegração” de minorias na sociedade, e enaltece o sucesso destes campos, salientando que o número de uigures libertados tem aumentado e a população prisional diminuído.

No entanto, o número de campos de detenção continua a crescer. Apenas em 2019, foram construídos mais 61 campos e, da informação recolhida, pelo menos outros 14 estão em construção.

O relatório do ASPI categoriza os campos em quatro tipos níveis de segurança, e pelo menos metade das novas instalações serão de alta segurança. Outras 70 instalações foram reconstruídas recentemente com menos meios de segurança.

Segundo o relatório, “um número significativo de detidos que não demonstrou um progresso satisfatório nos campos de doutrinação política foi transferido para instalações de alta segurança, que se estão a expandir para os acomodar”.

Ao Guardian, o investigador do Instituto afirma que “as provas desta base de dados mostram que, apesar das alegações das autoridades chineses sobre os detidos que se estão a formar nos campos, o investimento na construção de novos centros de detenção continuou ao longo de 2019 e 2020”.

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