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Eleições 7: como se saiu a esquerda paulistana

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PSOL destacou-se em bairros de classe média, em especial na zona oeste, onde havia predomínio histórico do PSDB. PT teve desempenho forte nas periferias da zona sul e leste. O que esses dados podem representar para a votação de domingo?

Sandro Valeriano, Outras Palavras, 25 de novembro de 2020

Candidaturas majoritárias expressam a força da organização partidária, mas também a força individual do candidato, sua capacidade de ampliação. Muitas vezes, mais de uma candidatura se apresenta no mesmo campo político. Nesses casos, é comum que um candidato se sobressaia e ocupe a área de influência de outros partidos e composições do mesmo campo.

 

Um cenário de múltiplas candidaturas pelo campo da esquerda se fez presente no primeiro turno da eleição atual na capital paulista. As candidaturas com maior densidade eleitoral, no referido campo, foram de Jilmar Tatto (PT) e Guilherme Boulos (PSOL).

 

No contexto do segundo turno, em que as forças políticas e sociais se recompõem, nos pareceu relevante mapear a força eleitoral do PSOL e do PT, pois esse dado pode ser um indicador do potencial do candidato de Boulos na votação do segundo turno.

 

Para essa finalidade, mapeamos a votação para a bancada de vereadores, votos nominais e na legenda, entendendo que esse dado é menos suscetível a força ou eventual fragilidade conjuntural do candidato majoritário. Na eleição atual para prefeito em São Paulo, Boulos atraiu votos fora da esfera do PSOL, ao contrário do que havia ocorrido na campanha presidencial de 2018, quando ele apresentou perdas para a candidatura de Ciro Gomes (PDT) nas áreas de influência do PSOL.

 

Na análise dos dados eleitorais de 2020, identificamos que a votação para prefeito do candidato Jilmar Tatto (PT) representou 70,7% dos votos da bancada de vereadores de seu partido, ou seja, o candidato a prefeito teve uma votação menor que a chapa de vereadores. Já a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à prefeitura aproximou-se de duas vezes e meia a votação da bancada. A candidatura de Boulos cresceu e extrapolou os limites da votação do PSOL, configurando um claro exemplo de candidatura que amplia a área de influência partidária.

 

Nos mapas o leitor pode observar uma complementaridade territorial na densidade eleitoral dos partidos em questão. Enquanto o PSOL teve maior densidade de votos para a vereança em bairros de classe média, com destaque para a zona oeste de São Paulo, o PT segue com desempenho mais forte nas periferias das zonas sul e leste da cidade. Essa sinergia pode representar um ganho de competitividade para a candidatura do Boulos. Destacamos, ainda, que o PSOL tem clara influência eleitoral em algumas áreas de predomínio histórico do PSDB, reforçando sua possibilidade de atrair votos do candidato tucano.

 

No que tange às técnicas de representação, buscamos apresentar a informação do comportamento eleitoral nas áreas de ocupação residencial da cidade. Assim, procuramos evitar percepções distorcidas de espaços sem ocupação residencial, como grandes espelhos d’água, áreas de preservação ambiental e mesmo terrenos de uso industrial, comercial e de serviços, que não apresentam o comportamento eleitoral em questão. Para esse fim, tomamos como referência o trabalho de O’Brien e Cheshire que projetaram as informações de demografia sob as edificações de Londres e publicaram em web map dinâmico. Nossa representação é estática e limitada aos lotes, favelas, loteamentos e núcleos residenciais. A utilização das informações de IPTU permitiu projetar as informações apenas sob o uso residencial, aspecto que não foi possível na publicação dos autores mencionados.

 

(1) Oliver O’Brien & James Cheshire (2016) Interactive mapping for large, open demographic data sets using familiar geographical features, Journal of Maps, 12:4, 676-683, DOI: 10.1080/17445647.2015.1060183

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