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EUA: milhares contra o ódio aos asiáticos

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Este fim de semana houve manifestações em várias cidades do país, após o ataque a três spas de Atlanta que causou oito mortes. Preconceito contra asiáticos aumentou nos Estados Unidos no último ano.

Esquerda.net, 22 de março de 2021

Na terça-feira passada, oito pessoas, entre as quais seis mulheres de origem asiática, foram mortas num ataque a tiro a três spas da zona da Atlanta. Os líderes da comunidade asiático-americana queixam-se à Reuters de uma onda crescente de violência contra asiáticos. A razão é que há quem os esteja a culpar pela pandemia que teve os primeiros casos identificados em Wuhan, na China e o próprio ex-presidente Trump fazia questão de se referir à Covid-19 como o “vírus chinês”.

Este terá sido o caso mais grave, mas não foi o único com consequências fatais. Em janeiro, em São Francisco, um homem de 84 anos originário da Tailândia foi violentamente agredido, acabando por falecer dois dias depois.

Este fim de semana, milhares de norte-americanos saíram às ruas para defender o fim de violência contra esta comunidade em cidades com São Francisco, Houston, Nova Iorque entre várias outras. A convocá-las, circulava nas redes sociais a hashtag #StopAsianHate.

Um dos pontos centrais da mobilização foi o Capitólio Estadual da Georgia, em Atlanta, no sábado, onde se podiam ler cartazes e palavras de ordem como “parem com o ódio contra os asiáticos” e “nós não somos o vírus”.

Ao New York Times, Bee Nguyen, deputada estadual do Partido Democrata, e a primeira mulher de origem vietnamita a deter este cargo, manifestou a sua “raiva profunda, dor e tristeza” pelos crimes e vincou que têm de haver mudanças políticas para proteger estas pessoas. Os senadores do mesmo partido, Raphael Warnock e Jon Ossoff, que também marcaram presença, destacaram a necessidade de uma reforma da leis das armas.

 

Na sua página do Twitter, Nguyen acrescentou “afirmemos a nossa humanidade. Desfaçamos os mitos da minoria modelo. Partilhemos a nossa história e a nossa verdade. Vamos dar as mãos às comunidades nossas aliadas e exijamos justiça não apenas para estas vítimas mas para todas as vítimas do ódio e do supremacismo branco”.

 

Vários dos manifestantes entrevistados pelos meios de comunicação social sublinhavam que era a primeira vez que estavam a participar numa manifestação. O mesmo jornal falou com Elisa Park, que diz que várias das colegas e amigas estão com medo de sair à para coisas tão básicas como passear os cães. Park diz que também tem passado por esse sentimento e que tentou “ficar em silêncio durante algum tempo”, “manter a cabeça baixa, trabalhar duramente”. O sucedido a semana passada foi a gota de água: “desta vez não”, afirmou.

O pesquisador em Ciências Médicas na Universidade Estadual da Georgia, Xiaoxu Zheng, também se estreou em manifestações este fim de semana. Ao Wall Street Journal contou ter também esse sentimento de que já não podia mais ficar calado a assistir ao aumento do preconceito. “Vivemos aqui. Pagamos impostos. Trabalhamos aqui. Este é um país de imigrantes, todos imigrantes, por isso não há nada que não possamos fazer melhor do que amar-nos e trabalhar em conjunto.”

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