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O clã disperso do romancista cubano Leonardo Padura

“Como Polvo en el Viento”, último romance do consagrado Padura, ainda sem edição em português, conta a história de um grupo de amigos, universitários, que depois da crise dos anos 90 em Cuba se dispersa, com a maioria procurando um destino no exterior

· Cultura,Sem Fronteiras,Vale a pena ler

Luis Leiria, Esquerda.net, 14 de fevereiro de 2021

Quando Leonardo Padura começou a trabalhar no seu último romance, lançado em agosto do ano passado (em língua espanhola), tinha um título em mente: “O Clã Disperso”, o mesmo que o também cubano e escritor Alejo Carpentier pretendia dar a um livro começado a escrever nos anos 20 e nunca concluído. Mas quando Padura tornou pública a sua intenção, foi contactado pela fundação que cuida da obra de Carpentier pedindo-lhe que escolhesse outro título, pois tinha planos de publicar o trabalho inacabado. O escritor viu-se sem título para o romance quase finalizado até que um dia, em viagem, acompanhado pelo escritor e compatriota Francisco López Sacha, ouviu na rádio “Dust in The Wind”, uma música do grupo Kansas gravada em 1977. “Eis o teu título”, disse López Sacha. “A história que contas demonstra que todos somos poeira no vento”. E assim foi.

A diáspora cubana

Em “Como Polvo en el Viento”, Padura aborda um tema, o do exílio, que sempre esteve presente na sua obra. Ele mesmo reconhece que é uma das suas obsessões. Não poderia ser diferente: o escritor cubano é parte de uma geração que viveu sucessivas ondas de saída maciça de cidadãos da ilha, fugindo de crises como a do “período especial”, nos anos 90, quando a economia cubana desabou subitamente em consequência da explosão da União Soviética.

Quem acompanha as peripécias do personagem principal e alter ego de Padura, o ex-detetive Mário Conde, pôde testemunhar a redução do seu círculo de amigos mais próximos devido a sucessivas saídas do país. Em “A Transparência do Tempo” (2018), último livro do autor protagonizado por Conde, este chega a uns nostálgicos 60 anos com a perspetiva de perder o contacto direto com mais um dos seus melhores amigos, o Conejo, que está tentado a mudar-se para Miami. E a própria companheira do ex-detetive, Tamara, sofre um apelo irresistível de viajar a Itália, país onde já moram o seu filho e a sua irmã, e onde nascerá em breve o primeiro neto.

 

Fora da série Conde, o exílio é tema bem presente noutras obras de Padura, como "O Homem que Gostava de Cães", “Hereges” (2013), e sobretudo “La Novela de Mi Vida” (2002), em que retrata um personagem histórico, o poeta José Maria Heredia, considerado o fundador da literatura cubana, desterrado do país por se ter envolvido numa conspiração para conquistar a independência da Ilha.

O exílio dos cubanos, hoje

Vinte anos depois, Padura decidiu voltar ao tema, abordando-o desta vez a partir de uma perspetiva contemporânea. Mas não queria ficar-se por uma história de alguém que parte e de alguém que fica, tampouco de um exílio essencialmente político, porque esses costumam ser muito semelhantes em todo o mundo. “Precisava de um olhar mais abrangente e visceral, que é exatamente o que pode conseguir-se com um romance”, explicou.

“O exílio é um processo que a minha geração sofreu muitíssimo” justificou numa entrevista à BBC. “A experiência demonstrou-me como é doloroso exilar-se, porque no caso de Cuba muitas destas decisões produziram-se sem retorno; foram saídas definitivas do país. Foi muito dramático.”

E assim nasceu “Como Polvo en el Viento” (2020), a história de um grupo de amigos, o “Clã” – como os próprios lhe chamam – reunidos desde a época do ensino secundário e da universidade, e que a partir de acontecimentos inesperados envolvendo membros do Clã e de uma crise económica que também ninguém previa em Cuba, a do “período especial”, dos anos 90, começa a desgarrar-se, à medida em que os seus membros vão partindo para o exterior. Acabam dispersos por países como os Estados Unidos ou o seu “estado livre associado” Porto Rico, Argentina, Espanha (Madrid e Barcelona) e França. Apesar da distância, porém, a amizade e a solidariedade permanecem entre a maioria dos seus integrantes, que Padura acompanha até o ano de 2016.

“Há um tempo calculámos quantas pessoas do nosso grupo da universidade restava em Cuba. Praticamente metade da minha aula já saiu do país”, explica Padura.

No grupo retratado no romance, a proporção dos exilados é muito maior. Mas Clara, a dona da casa do bairro de Fontanar onde o Clã sempre se reunia, é a personagem com que Padura mais se identifica, por resistir aos apelos da sair da ilha: “identifico-me com o seu espírito de resistência, de permanência e essa capacidade de receber todos os golpes da vida e continuar a resistir”.

Sabemos, e Leonardo Padura repete-o permanentemente, que há muito decidiu que não sairia de Cuba. O porquê dessa decisão explicou-o ao diário argentino Página 12 (link is external)pela enésima vez: “Sou cubano dos quatro costados, desde os meus tataravós, pelo menos, e este é o meu país e a minha cultura. E eu preciso desta realidade para escrever. Se não fosse escritor, talvez tivesse emigrado. Mas sou escritor, um escritor cubano, um escritor cubano que precisa de Cuba para escrever.”

Essa decisão, porém, não representa, de modo algum, uma crítica aos que optam por partir: “Todas as razões para ir-se embora são válidas, e todas as razões para ficar também são válidas. E a única coisa que é preciso exigir é o respeito por uma ou pela outra decisão.”

Estrutura complexa

Com 672 páginas, “Como Polvo en El Viento” vai contar a história do Clã, acompanhando passo a passo a trajetória e a vida dos seus principais integrantes. Mas não se trata de uma história linear, contada cronologicamente do início até o fim. Na verdade, o primeiro capítulo começa já em 2016, o ano a que a narrativa voltará em vários momentos.

Devo confessar que me assustei quando percebi que Padura arrancava com uma história que parecia rondar o melodrama. Adela, uma jovem nascida nos Estados Unidos, filha de mãe cubana e de pai argentino, descobre, através de uma foto subida para o Facebook, que toda a sua vida até o momento foi alicerçada numa mentira.

Aquela foto, tirada em 1990, põe em causa tudo o que a mãe lhe havia contado sobre o seu passado em Cuba e sugere que o seu pai não é o homem que ela sempre conheceu e amou como tal. Pior ainda: quem publicou a foto na rede social não foi outra senão a sua sogra, a mãe do seu companheiro Marcos, um jovem cubano que há pouco tempo saíra da ilha para viver na Flórida.

Naquela foto, saberemos depois, aparece a última reunião do Clã completo no aniversário da já citada Clara, antes que tudo começasse a desandar.

Como se dizia antigamente, parece uma história de “faca e alguidar”, não?

Mas não é. Para mim, é o início do melhor romance de Padura depois de “O Homem que gostava de Cães” (2009), onde o escritor demonstra um domínio do seu ofício a que poucos conseguiram chegar. A sensação de melodrama inverossímil no episódio inicial fui-a perdendo à medida que Padura me enredava na sua teia, finamente tecida, de revelações e de mistérios, com a interação de mais de uma dezena e meia de personagens (um número superior ao que é normal num romance, reconhece o escritor), começando lentamente, para nos dar tempo a memorizarmos quem é quem, para depois acelerar o ritmo da história, numa tensão crescente, até ao capítulo final. Nem os diferentes planos temporais e as idas e vindas entre momentos diferentes, dentro do período de 26 anos que abrange o romance, nos fazem perder o fio à meada. Pelo contrário: aumentam o interesse. O enredo tem uma enorme carga emotiva, mas também é o mais técnico dos romances de Padura.

Saber dosear a participação de tantos personagens e a informação que se vai passando ao leitor, de forma a manter-lhe a atenção e o interesse é uma tarefa dificílima para um escritor. E nem todos os romances com tal quantidade de personagens conseguiram escapar a desequilíbrios, desenvolvendo-os desigualmente ou dando saltos no tempo demasiado abruptos, provocando o embaralhamento do leitor. Não é o caso de “Como Polvo en el Viento”.

Inflexão feminista

Ao desafio da estrutura complexa e do número elevado de personagens, Padura acrescentou ainda um outro: pela primeira vez, três protagonistas do romance são mulheres. Foi um desafio especial, reconhece, numa entrevista em vídeo por ocasião do lançamento virtual do livro no México. “Meter-me nas cabeças dessas três mulheres, que são as três diferentes, apesar de as três estarem muito próximas, por muitas razões que se saberão, foi um exercício complexo.”

O escritor justifica a ausência de mulheres protagonistas na sua já vasta obra com uma afirmação duvidosa: “O crime tem um componente maioritariamente masculino”, motivo que justificaria o monopólio de personagens masculinos nos seus romances policiais. Parece uma desculpa para o acentuar das características machistas de Mário Conde, observado em “A Transparência do Tempo”, digo eu. Mas reconheçamos que é inegável a dificuldade por vezes insuperável de um escritor homem se pôr na cabeça de uma personagem mulher. “Creio que a maneira de as mulheres assumirem a vida e de entenderem os comportamentos das pessoas é superior à nossa”, afirma Padura na mesma entrevista. “Pensam de uma forma que nós (os homens) somos incapazes de fazer, e que por isso nos dá tanto trabalho a descodificar, para criar esses personagens femininos que são Elisa, Adela e Clara neste romance.”

Seja como for, as leitoras e os leitores só ganharam com a decisão. As três são personagens muito fortes e pareceu a este modesto observador que o desafio foi superado e que as três são credíveis. Mas eu sou também homem. A palavra deve ser dada a elas: “Espero que as mulheres leitoras, que são a maioria dos leitores, me digam que me saí com êxito”, apela o escritor.

As várias faces do exílio cubano

Voltando ao tema central do romance, Padura vai seguindo os percursos dos integrantes do Clã, compondo com as suas histórias um mosaico da emigração cubana pelo mundo e das atitudes que os cubanos tomam diante da nova realidade. Porque esta atitude tem muitas facetas. Há quem, como Elisa, queira simplesmente apagar Cuba da sua memória e da sua vida, e afastar a sua filha Adela de qualquer contacto com a cultura cubana. Tarefa que se verifica impossível.

Há os que reagem como Darío, que faz todos os possíveis para se integrar no seu novo país, perdendo o sotaque cubano e chegando ao ponto de aprender a falar fluentemente o catalão e a tornar-se um fervoroso adepto da independência da Catalunha. Diante de um compatriota, porém, toda a sua cubanidade emerge de imediato.

Mas também há aqueles, como o seu filho Marcos, que emigra para a Flórida, nos Estados Unidos, e vai parar à cidade de Hialeah, uma espécie de bolha cubana no território norte-americano. Lá ele fala à moda cubana, torce pelo baseball, o desporto mais popular em Cuba, e pelos “peloteros” cubanos que jogam nos Estados Unidos, e dá formação no jogo às crianças, come em restaurantes cubanos, tem um círculo de amigos cubanos. Ele é o que “vai-se embora mas não se vai embora”, nas palavras de Padura.

Em contrapartida, o seu irmão Ramsés parte sem sequer olhar para trás, à procura de um objetivo preciso: não ser como a mãe, engenheira que não recebia de salário o suficiente para viver. Mas, já instalado em Toulouse, França, acaba por reencontrar uma amiga de infância, Fabíola, filha de Fabio e Lyuba, também integrantes do Clã, e casar com ela.

O caso de Irving é o do desenraizado cultural: em Madrid pode assumir plenamente a sua homossexualidade sem ter medo de qualquer repressão, indo morar no bairro de Chueca, um dos símbolos do orgulho gay da cidade. Mas não consegue deixar de pensar em Cuba todos os dias.

Há ainda Joel, o discreto companheiro de Irving, que rejeita terminantemente a ideia de abandonar Madrid e ir viver nos Estados Unidos, pois, como negro, e depois de ter tido uma vida digna em Cuba e de ter desfrutado da condição de cidadão pleno de Chueca, na cosmopolita Madrid, nem podia pensar em sofrer o racismo reinante naquele país.

Finalmente, o físico Horacio casa com uma porto-riquenha, e consegue, depois de muito esforço, ser contratado como professor da Universidade de San Juan. Bem integrado na sociedade porto-riquenha, ele não deixa de se preocupar com o fosso que separa os cubanos que vivem na ilha e os do exílio, e acompanha com entusiasmo o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos e a visita de Barack Obama a Havana. Sabemos como todas as expectativas levantadas na época caíram por terra com a ida de Donald Trump para a Casa Branca.

Como dissemos acima, é com Clara que Padura mais se identifica, mas a sua segunda escolha recai sobre Irving, pelo seu “apego a uma forma de ser e de fazer, de uma cultura, de uma espiritualidade de sentir que és de um lugar e que nunca serás de outro”. Além destes dois, sabemos que Padura partilhou o entusiasmo de Horacio com a aproximação da Casa Branca a Havana nos tempos de Obama, e que, apesar de mais pessimista, continua a defender que a conciliação entre os cubanos de dentro e de fora é uma necessidade para o futuro de Cuba. “O facto de viver fora da ilha não te torna menos cubano do que alguém que vive dentro!” Esse, aliás, será um dos temas do seu próximo romance, que marcará o reaparecimento de Mário Conde.

Críticas duras

Este romance é também o mais crítico quanto à situação económica e social de Cuba, que leva tantos cidadãos a procurar noutros países uma saída para uma vida melhor que Cuba não lhes dá. Numa entrevista ao La Jornada, do México, Padura explica que procurou evitar as leituras políticas para que no primeiro plano estivessem os dramas sociais dos personagens, “porque a política tende a ser reducionista, põe as coisas em preto e branco e os assuntos sociais, as circunstâncias dos comportamentos humanos, são universais.”

É verdade que Padura nunca se dispôs a fazer ativismo político com a sua literatura e os seus livros não abordam diretamente assuntos da política cubana. Dificilmente os nome Fidel, Raúl, ou até o Che terão sido mencionados em algum livro do escritor. Mas as suas críticas sociais têm muitas vezes efeitos mais devastadores do que se fossem dirigidas a este ou àquele político.

Em “A transparência do Tempo”, Padura já denunciara a existência de verdadeiras favelas surgidas na periferia de Havana após a crise de 1990, levantadas por cidadãos cubanos de outras regiões que a fome empurrara para Havana e não tinham onde viver. Depois de tentar impedir os primeiros que se aventuraram a levantar os seus casebres com pedaços de pau, cartão, folhas de zinco, lona, a polícia acabou por desistir, pois quando viravam as costas, os casebres regressavam. Os “assentamentos” ficaram, mas o governo procurou garantir que ficassem invisíveis.

A maioria dos cubanos jamais teve notícias da existência de tais bairros precários, povoados de miseráveis, muito mais miseráveis que os habitantes dos “solares”, antigas moradias arruinadas e habitadas por dezenas de famílias que fazem de cada quarto um apartamento. Não, aqui a miséria é pior, é a “infravida”, como lhe chama Conde, no romance, acrescentando: “mas também é real”.

Em “Como Polvo en el Viento”, o tema da miséria regressa, desta vez a dos moradores dos solares, antigas moradias em ruínas onde cada quarto é um apartamento onde mora pelo menos uma família. Neste lugares insalubres vivem pessoas “degradadas pela marginalização e a pobreza, homens e mulheres” que viam sem ver as crianças e nem sequer tinham a capacidade de compadecer-se delas: “porque muitos deles tinham até perdido a noção de compaixão.”

Parafraseando Conde-Padura, esta gente degradada, “miseráveis económicos e sobretudo morais”, “também é “real”. Naquele mesmo país que depois do triunfo da revolução de 1959 proclamou o advento do “homem novo”.

É certo que Padura não vê unicamente a crise e a miséria que cresce na ilha: ao traçar o perfil de Darío, o personagem do romance que saiu desta miséria até chegar a ser médico, ele deixa claro que só em Cuba seria possível alguém nascido em semelhante condição chegar ao topo da carreira de neurocirurgião. Porque em Cuba, fazem-se filas intermináveis para comprar frango, mas há saúde (e educação) públicas e universais, como disse, mais uma vez, numa entrevista recente.

História de uma geração

O reconhecimento de conquistas da revolução que ainda permanecem na ilha não afasta Padura de um balanço muito crítico, esse sim político e não apenas social, dos acontecimentos desde os últimos 35 anos, usando, para isso, a história do Clã, que é a história da geração do escritor.

Os jovens que, nos anos 80, compuseram aquele círculo de amigos, acreditavam na revolução e confiavam ter à sua espera um bom lugar na nova sociedade, desde que se esforçassem e cumprissem o seu papel. Quando a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, em 1990, mostrou como era artificial a economia cubana dependente da URSS, alguns deles já eram bastante críticos, e o grupo acolhera “1984”, a distopia de George Orwell, como um prenúncio dos perigos que a sociedade nova poderia trazer. Já nessa altura o grupo roía-se de suspeitas de que havia um informante da polícia entre eles, sem que se entendesse porque a polícia poderia se interessar por jovens tão bem comportados.

Quando a crise dos anos 90 lhes bateu de frente, como a todos os cubanos, a dispersão começou. Com a utopia em frangalhos, a questão já não era de crença ou não, era de sobrevivência.

O Homem invisível

O escritor, que ainda vive no mesmo bairro de Montilla e na mesma casa que já foi dos pais, insiste que precisa de viver em Cuba para escrever e que não imagina a vida no exterior. Essa insistência, porém, vive um paradoxo. É que nos últimos anos Leonardo Padura está cada vez mais invisível no seu próprio país. Raramente é citado nos média cubanos, as instituições culturais também o ignoram. Irónico, Padura diz viver um estado “incorpóreo” em Cuba.

É certo que o autor de “O Homem que Gostava de Cães” recebeu o Prémio Nacional de Literatura de Cuba em 2012, pouco depois de a Casa das Américas lhe ter dedicado uma semana de autor. Mas, a partir daí, o silêncio pesou. Padura tornou-se invisível. O Prémio Princesa de Astúrias das Letras de 2015, o mais importante concedido a um escritor cubano em muitos anos, mereceu apenas referências casuais nos média. Criado em 1980, o Prémio distingue “pessoas, entidades ou organizações de qualquer parte do mundo que tenham alcançado feitos notáveis nas áreas das ciências, humanidades ou vida pública.” Ao ser premiado em 2015, Padura veio juntar-se a escritores já premiados como Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa, Günter Grass, Doris Lessing, Arthur Miller, Paul Auster, Amos Oz, Amin Malouf, Philip Roth, entre muitos outros (ver aqui a lista completa dos premiados).

Mas o que Padura mais lamenta é a dificuldade que os seus concidadãos encontram para chegar aos seus livros, sabendo-se que há milhares de leitores potenciais que gostariam de encontrá-los, ao mesmo tempo que edições inteiras se esfumam sem ninguém saber onde foram parar.

E não são só os livros. Até hoje, os cubanos também não puderam ver a série de televisão “Quatro Estações em Havana”, baseadas nas aventuras do detetive Mario Conde, cujo papel é desempenhado por um dos mais famosos artistas de cinema cubano, Jorge Perugorría.

“Não peço que me promovam”diz Padura, numa rara entrevista ao El Caimán Barbudo de agosto de 2019, “apenas que não impeçam que os cubanos tenham acesso ao meu trabalho. Porque se trata apenas disso: trabalho, trabalho e mais trabalho. Se não, não haveria… necessidade de me transformarem no ‘homem invisível’. Chegou ao ponto de, numa Feira do Livro em Havana, há um par de anos, o único livro meu publicado foi… em Braille!”

Alguém em Havana sofre de uma cegueira mais grave que a dos invisuais. E esse alguém não é Leonardo Padura.

“Como Polvo en el Viento” foi publicado em agosto 2020 em língua espanhola pela editorial Tusquets. Não foram ainda publicadas edições traduzidas em português. Quem o quiser ler no original, pode facilmente comprá-lo em e-book.

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