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Partido ou fração-seita? (1ª parte), um clássico da quarta internacional

Trancrevemos abaixo um texto central da trajetória da IV Internacional

· Formação,Vale a pena ler

Este texto fundamental da história do trotkismo e da IV Internacional foi publicado originariamente na Revista da IV Internacional nº 1, julho-setembro de 1980 e reproduzido em português em Perspectiva Internacional – Ano I, número 1, março-abril 1982. Quando escreveu esse documento, oi jornalista e acadêmico John Ross era então dirigente do Grupo Marxista Internacional (IMG) do Reino Unido, ligado à IV Internacional. Nessa condição, esteve à frente da polêmica entre a maior parte do trotskismo continental europeu contra o também britânico Geary Healy e o francês Pierre Lambert.

A existência de diversas organizações revolucionárias desorienta incontestavelmente numerosos militantes, sobretudo quando algumas dentre elas se reivindicam de Leon Trotsky, e do Programa de Transição da IV Internacional, afirmando seu desejo de “reconstruir” ou de “reorganizar” a IV Internacional.

A estrada para unificar todos estes grupos na IV Internacional está coberta de obstáculos, onde um dos principais é a confusão introduzida por organizações sectárias como a dirigida por Gerry Healy na Grã-Bretanha ou pela OCI na França, que apagam todas as distinções que Lênin e Trotsky haviam claramente introduzido entre partidos, frações e tendências. Estabeleceram assim uma verdadeira tradição de cisões irresponsáveis sobre a base do sectarismo político organizacional ou de simples divergências conjunturais ou táticas. Justificam esta prática se referindo ao “bolchevismo”. Estas referências são sem nenhum fundamento. Tanto em teoria como na prática, Lênin e Trotsky se comportaram de maneira diametralmente oposta.

Outros grupos que ainda se encontram fora da IV Internacional e que rejeitam as práticas extremas de violência física, de exclusões arbitrárias, de caracterização de outras tendências revolucionárias como “cúmplices” da GPU (ou do FBI); [GPU foi o órgão antecessor da KGB, serviço secreto soviético] ou “cripto-stalinistas”, ainda não romperam com as raízes teóricas destas aberrações de Healy-Just. Eles repetem notadamente sua confusão grosseira entre os métodos de construção de um partido revolucionário, e os métodos de construção de uma fração ou de uma tendência se reivindicando, a cada vez, do exemplo de Lênin, a despeito de todas as provas históricas.

O precedente dos Bolcheviques

Assim, no órgão de um desses grupos britânicos, Socialist Press (nº de 14, janeiro de 1976), nós lemos: “Se bem que o Partido Bolchevique só tenha surgido no momento da cisão de 1903 no seio da social-democracia, as bases sobre as quais ele foi construído já haviam sido erigidas no curso dos anos precedentes”.

Ao nível dos fatos, esta afirmação não tem nenhum sentido. O partido bolchevique não foi criado em 1903. O que foi criado foi fração bolchevique do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Por outro lado, não somente o partido bolchevique não foi formado neste momento, como Lênin era categoricamente contra toda cisão do POSDR em dois partidos. Todo o seu combate após 1903 consiste em uma luta de fração política e ideológica contra os mencheviques de um lado, e simultaneamente numa luta por um só partido, indo contra o que chamava de ações anarquistas dos mencheviques que ameaçavam o partido de uma cisão.

Com efeito, longe de tomar a iniciativa de uma cisão, Lênin explicava claramente o que foram as ações dos mencheviques, que decidiram correr o risco de cindir o partido: “A recusa de Martov em participar do Comitê de Redação (do Iskra), sua negativa e a de outros escritores do partido em colaborar, a recusa de um certo número de pessoas em trabalhar no Comitê Central, e a propaganda para um boicote ou resistência passiva, levaram inevitavelmente o partido a uma cisão mesmo não sendo este o desejo de Martov e seus amigos”. (1)

Lênin se declara em completa oposição à toda cisão do partido. Ele prossegue então sua campanha para um novo Congresso do partido incluindo bolcheviques e mencheviques, em uma direção bem clara: “É necessário encontrar o quadro em que a luta ideológica possa se desenvolver em condições mais ou menos normais; é necessário um novo Congresso. Pensar que um Congresso só poderá desembocar em uma cisão e admitir que não temos partido algum, que o espírito de partido está tão mediocremente desenvolvido em nossas fileiras que só pode ser produto do espírito de círculo… seguramente não temos nenhuma garantia, mas devemos tentar regulamentar o conflito nos comportando como um partido, e encontrar uma solução. A maioria não quer, em nenhum caso, uma cisão”.

A confusão entre partido e fração aparece de novo no mesmo artigo do “Socialist Press”, quando se afirma: “Se bem que o II Congresso da Social-Democracia Russa teve como saldo uma cisão, sendo suas forças reduzidas à metade, foi graças à luta fracional levada por Lênin que a independência política e organizacional do partido foi defendida contra os mencheviques”.(2) Trata-se aqui da confusão mais completa. É correto afirmar que Lênin levou uma batalha de fração. Mas uma fração não é um partido. Uma fração é uma formação no seio de um partido. Segundo a afirmação de Lênin: “Uma fração é uma organização no interior de um partido, unida não por seu laço de intervenção, nem por sua língua ou qualquer outra condição objetiva, mas por uma visão particular das questões do partido”.(3)

Com efeito, mesmo os termos – fração bolchevique e fração menchevique – evidenciam que se tratava de membros de um mesmo partido. Assim, é ridículo dizer que o partido havia perdido metade de suas forças: o que se passava é que a luta fracional entre mencheviques e bolcheviques revelava serem os primeiros sustentados por metade do partido e os últimos pela outra metade, no bojo do desenvolvimento dessa luta interna. Na formulação expressa no artigo do Socialist Press, silencia completamente sobre os diferentes aspectos dialeticamente ligados, da luta de Lênin neste período. Contra todos aqueles que queriam uma conciliação política e ideológica, Lênin era por uma batalha fracional. Ao mesmo tempo, contra todos que trabalhavam rumo a uma cisão, ele se batia pela unidade do partido.

Tudo isso se torna mais evidente quando nos debruçamos sobre a primeira verdadeira cisão em dois partidos e não em duas frações, a de janeiro de 1912, no VI Congresso do POSDR. Não somente a dita cisão teve lugar nove anos depois da data indicada na Socialist Press, mas é importante notar que mesmo nesta época, Lênin não chamava a uma cisão política com os mencheviques e a uma divisão segundo as linhas menchevique e bolchevique, mas, ao contrário, a uma cisão sobre bases organizativas. É por isso que todas as frações foram convidadas para o Congresso.

Como Lênin ressaltou: “A Comissão de Organização russa que convocou a presente conferência, informou todos os social-democratas de sua convocação, e convidou, sem nenhuma exceção, todas as organizações de nosso partido para a Conferência. Em outras palavras: a possibilidade de participar da Conferência foi dada a todas as organizações”. (4)A divisão em dois partidos diferentes, seguida da expulsão de diversos elementos, não foi causada pelas idéias políticas dos mencheviques, mas pela rejeição e violação dos princípios organizacionais do Partido: execução de atos incompatíveis com a filiação ao partido, por estes elementos particulares.

A resolução da Conferência afirmava claramente: “Os ex-membros do Comitê Central Mikhail, Yuri e Roman não somente recusaram-se a participar do organismo na primavera de 1910, mas também negaram-se a assistir reuniões para cooptar novos membros, declarando imediatamente que consideravam a própria existência do Comitê Central como ‘prejudicial’. Foi precisamente após a reunião plenária de 1910 que as publicações dos liquidadores acima mencionados, Nasha Zarya e Dielo Zhizni passaram em toda linha para as fileiras do liquidacionismo, definitivamente. Não somente ‘diminuíram (contrariando à decisão do plenário) a importância do partido ilegal’ mas também o renegaram dizendo que o partido estava morto, que o partido estava liquidado que a idéia de ressuscitar o partido ilegal era uma ‘utopia reacionária’, utilizando as colunas das revistas publicadas legalmente para encher de calúnias e injúrias o Partido ilegal, chamando assim os trabalhadores a considerarem o núcleo do Partido e sua hierarquia como mortos, etc”.

“No momento em que por toda a Rússia os membros do partido se uniam, além das frações, para bem encaminhar a tarefa imediata de convocação da Conferência, os liquidadores se ajuntavam em pequenos grupos totalmente independentes, separavam-se das organizações locais mesmo onde os mencheviques pró-partido eram majoritários (em Ekaterinolsvla ou Kiev) e recusavam toda e qualquer relação com as organizações locais do POSDR. A Conferência declarou que, por sua conduta, o grupo Nasha Zarya e Dielo se colocava definitivamente fora do partido”. (5)

É evidente que se esta cisão não se baseava em incompatibilidade do menchevismo com o partido, mas na recusa de certos elementos em se submeter à disciplina do mesmo, os mencheviques que aceitaram esta disciplina (os mencheviques “pró-partido”) permaneceram como membros de pleno direito do partido. Este fato é reconhecido nos artigos ulteriores do “Socialist Press”. Entretanto, seu significado não foi compreendido. Não se trata de nenhuma maneira de uma manobra astuta imaginada par Lênin para dar uma justificativa organizacional a uma cisão política – o que naturalmente considera Healy, que vê Lênin como um vulgar prático da realpolitik em seu estado puro. Ao contrário, Lênin explica claramente sua posição (não somente ao nível da Rússia, mas também ao nível internacional) sobre a razão pela qual deviam os mencheviques, naquela época, permanecer dentro do partido. Quando se lhe perguntava por que o liquidacionismo, se, como o bernsteinismo, não poderia ser combatido no seio do partido, ele respondia não invocando a incompatibilidade política, mas de princípio organizativo. Os bernsteinianos russos se recusavam a aceitar a disciplina do partido.

“Não há muitos elementos dentre os aderentes ao POSDR que sejam capazes de defender a corrente liquidacionista. Infelizmente ainda há um certo número de elementos que se opõem sinceramente ao liquidacionismo, mas que não compreendem em que condições é necessário travar a luta contra este. Certamente, dizem eles, o liquidacionismo é uma corrente burguesa no seio do movimento socialdemocrata, mas por quê não combatê-lo nas fileiras de um mesmo partido, como fazem os alemães com o bernsteinismo?” (6)

Para a escola de Healy, isto está fora de questão. Os bernsteinianos deveriam ter sido todos excluídos nesta época, em função de suas opiniões políticas. Já Lênin via as coisas de maneira totalmente diferente: “Aqueles dentre nós que defendem ferrenhamente um “entendimento”, não compreenderam uma coisa muito simples, mas muito importante: os liquidacionistas não são apenas oportunistas (como Bernstein e Cia): eles ensaiam também construir seu próprio partido à parte; eles proclamaram que POSDR não existe; não levam em conta, em absoluto, as decisões do partido. Eis a diferença entre nós e a “Europa”. Na Europa não se toleraria nas fileiras de um partido por mais de um mês um oportunista culpado de um décimo do que fizeram e continuam a fazer os Perterson, Igorev, Beer, Martov, Dan e semelhantes, contra o partido e suas decisões.” (7)

No mais, no decorrer do período precedente, quando os mencheviques tinham realmente uma atitude correta no plano organizativo e uma maioria estatutariamente constituída, Lênin esteve bem longe de preconizar uma cisão. Ao contrário, ele mesmo concitou a fração bolchevique a aceitar a disciplina do Partido sobre pontos tão cruciais como o voto em candidatos burgueses. Assim escrevia: “Uma vez que as estruturas competentes decidiram, então nós devemos, enquanto membros do partido, todos juntos agir como um só homem. Em Odessa, um bolchevique deverá assinalar sobre a sua cédula eleitoral o nome de um Cadete, mesmo se isso o deixar doente”. (8)

Foi somente quando os mencheviques se puseram a violar a disciplina do partido, boicotando de maneira anarquista as estruturas do mesmo, tentando pela votação no Comitê Central anular as decisões do Congresso, rejeitando a autoridade do corpo dirigente, que Lênin se rebelou.

Bem entendido, tudo isto não significa que Lênin tenha sido, de maneira alguma, culpado de ecletismo em matéria organizativa. Ao contrário, como veremos, Lênin soube em 1914 encaminhar bastante bem uma cisão definitiva, irremediável e sem perdas, sobre bases estritamente políticas, e não organizativas. Mas o que a experiência anterior a 1914 demonstra é que Lênin (como mais tarde Trotsky) sabia distinguir muito bem uma fração de um partido.

Infelizmente, certos camaradas sectários ainda não fizeram uma análise séria sobre a história do bolchevismo. Eles não chegam a explicar por que, em 1903, foi formada uma fração; por que em 1912 os mencheviques foram excluídos por razões organizativas e não políticas, e por que Lênin só considerou a cisão política em 1914.

Se considerarmos a história das posições organizativas de Lênin antes de 1914, veremos que, em nenhum dos casos principais de cisão que teve de encarar, ele foi favorável a uma ruptura sobre bases políticas. Em 1903 ele levou uma luta de fração contra os mencheviques, opondo-se, no entanto, a toda cisão. Em 1912 ele sustentou a exclusão dos mencheviques somente por terem estes últimos se recusado a se submeter à disciplina do partido. Naquele momento Lênin admitia inteiramente a defesa das posições políticas dos mencheviques nas fileiras do partido, sob a condição de estes aceitarem sua disciplina e seu funcionamento – exatamente o que fez a fração menchevique “pró-partido”.

Tudo isso não deve levar à conclusão que Lênin, sobre as questões organizativas e a luta política era “mole”, ou sem princípios. Isso apenas quer dizer que ele considerava serem as divergências naquela época, resolvíveis, no interior do partido – objeto de uma luta fracional, e não de uma cisão. Ao passarmos a 1914, veremos que Lênin exigiu uma cisão absoluta em dois partidos separados. Aquilo que antes eram desvios no interior do Partido – o menchevismo, o bernsteinismo – revelaram-se agora, frente a acontecimentos decisivos da luta de classes, posições totalmente estranhas à classe operária e a seu partido.

A reação de Lênin foi imediata. Sua primeiríssima declaração sobre a guerra foi:

“A traição do socialismo pela maior parte dos dirigentes da II Internacional (1889-1914) marca a falência política e ideológica da Internacional… A tarefa da futura Internacional deve ser de se desembaraçar resoluta e irrevogavelmente desta corrente burguesa dentro do socialismo”. (9)

Ele declarava que o menchevismo internacional havia passado definitivamente para o campo histórico da burguesia, e que seus partidos, se bem que compostos por trabalhadores, eram agora politicamente partidos burgueses – sendo esta posição de Lênin sempre conservada pelos comunistas. Acrescentava Lênin: “O desmoronamento da Internacional, que agora é a presa da burguesia… Abaixo o oportunismo e viva a III Internacional!” (10)

Lênin, em toda uma série de artigos escritos entre 1914 e 1917, descreveu o longo desenvolvimento quantitativo do oportunismo. Não obstante, ele foi absolutamente preciso sobre o momento que marcou a alteração qualitativa: “Tendo que amadurecer durante dezenas de anos em condições de capitalismo “pacífico”, o oportunismo estava tão maduro no fim dos anos 1914 e 1915 que se revela ser um aliado aberto da burguesia”. “É certamente essa virada precisa, a transformação da quantidade em qualidade, que implica na mudança de uma situação de luta fracional no seio de um partido para uma situação onde uma cisão e a criação de um novo partido eram inevitáveis”. (11)

Como é dito em uma resolução do primeiro Congresso da Internacional Comunista sobre a Segunda Internacional: “Desde o primeiro tiro de canhão sobre os campos da carnificina imperialista, os principais partidos da II Internacional traíram a classe operária e passaram, sobre a cobertura da ‘defesa nacional’, cada um para o lado de sua burguesia… Foi neste momento que a II Internacional faliu e, definitivamente, pereceu.” (12)

Não obstante, é importante notar o método que Lênin utilizava, em oposição à escola de falsificação de Healy. Antes de 1914 ele não conclamava a uma cisão com os mencheviques sobre bases políticas, apesar do chamado dos últimos para votar nos Cadetes, sua revisão do marxismo, etc.; também não chama a uma cisão dentro da II Internacional contra Bernstein e Cia. Lênin só chamou a ruptura quando foi demonstrado de maneira conclusiva, no decorrer do mais grave acontecimento da luta de classes, que o menchevismo se havia colocado pela ação prática, no campo da contra-revolução. Então, bem entendido, Lênin tira daí todas as suas conclusões. A cisão era irreversível. As idéias que se haviam anteriormente considera¬do como posições contra as quais se devia polemizar no seio do Partido, através de uma luta fracional, eram agora ideias que deveriam ser excluídas do Partido.

Mas, pela escola Healy-Just, tudo isso não é provavelmente nada mais que “empirismo”. Imaginem só, rachar apenas quando as ações provaram a traição histórica mundial! Não resta dúvida de que Healy-Just teriam rachado desde há muito tempo, sobre a questão de “método”, e teriam também, bem entendido, excluído este Lênin centrista, hesitante, e conciliador.

A experiência da oposição de esquerda

Se por acaso a lembrança da luta de Lênin não fosse o suficiente para ilustrar esta diferença de princípio entre partido e fração, poderíamos nos referir a uma segunda experiência importante: a luta de Trotsky no seio da Internacional Comunista e sua posterior ruptura com a mesma.

Percebe-se que, a propósito deste assunto, Trotsky seguiu um método e um curso idênticos aos de Lênin. Trotsky recusava-se a romper com a Internacional Comunista simplesmente porque o revisionismo teórico lá se desenvolvia (a teoria do socialismo em um só país, o ‘terceiro período’, a teoria do ‘socialfascismo’, etc…). Ele se recusava a romper mesmo frente a erros tão gigantescos como os cometidos na Alemanha em 1923, na Grã–Bretanha em 1926 e na China em 1927.

Trotsky respondia a cada um destes acontecimentos construindo e consolidando uma fração. Mas ele rejeita uma ruptura com o Partido até que o Comintern tivesse mostrado que tinha passado para o lado da contra-revolução, através do acontecimento mais decisivo da luta de classes que se pode imaginar: a ascensão de Hitler ao poder, sem combate graças à traição stalinista de 1933.

O healynismo vê nisso tudo apenas uma manobra de Trotsky. Ele teria retardado a ruptura apenas porque o Comintern era uma grande organização, e a melhor maneira de recrutar membros teria sido permanecendo como membro desta organização. Trotsky, vulgar manobrista e praticante da realpolitik: eis a verdadeira revisão healynista de Trotsky. Eles o reduzem Trotsky à pequena, miserável estatura que eles têm.

Enquanto isso, Trotsky explicava de maneira muito diferente e muito clara a sua posição sobre o assunto: “O grau de degeneração de um partido revolucionário não pode, regra geral, ser estabelecido a priori, somente sobre os seus sintomas. A verificação viva dos acontecimentos é indispensável. Teoricamente, nada ainda permitia no ano passado (1932) excluir a possibilidade de os bolcheviques-leninistas, baseando-se na exacerbação da luta de classes, poderem chegar a forçar o Comintern a tomar o caminho de uma verdadeira luta contra o fascismo”. (13)

E mais: sempre na mesma linha, ele distinguia claramente, no período anterior a 1933, entre a política e a direção dos partidos comunistas, que ele caracterizava como centristas, por um lado, e o caráter de classe destes partidos, que continuavam proletários, por outro lado. “O Partido Comunista é um partido antiburguês, proletário mesmo sendo mal dirigido. A socialdemocracia, apesar de inteiramente composta por trabalhadores, é um partido inteiramente burguês”. (14) A questão de construir uma fração e não um partido não decorria de uma manobra, mas da análise real de princípio. “A palavra de ordem de reforma do Comintern nunca foi para nós uma frase vazia. Nós contávamos com a reforma como uma realidade. O desenvolvimento seguiu o pior curso. É precisamente por isso que somos forçados a declarar que a política de reforma foi consumada até o último limite.” (15)

Certamente, quando foi consumada, ele se bateu até o fim pela questão. Em 1924, a defesa do “socialismo em um só país” era uma corrente no seio do partido. Em 1934, em função de um dos maiores acontecimentos da História, Trotsky se encontra fora do partido. Finalmente, só para completar o quadro, é possível refutar a opinião de Deutscher sobre a questão, quando afirmava que, em 1933, Trotsky se deixou levar e tomou a decisão injustificada de romper com o Comintern. Ao contrário, Trotsky havia, já antes, sublinhado bem que a questão da Alemanha – o mais importante movimento operário do mundo, com o maior Partido Comunista fora da URSS – era precisamente um teste de caráter qualitativo, semelhante àquele de 1914. Assim escrevia Trotsky em novembro de 1931: “Estamos muito perto de um desses momentos decisivos da História. O Comintern, após uma série de erros importantes nas ‘parciais' que provaram e solaparam as forças acumuladas nos primeiros cinco anos, corre o risco de cometer o erro fatal, capital, que poderá esfacelá-lo como fator revolucionário sobre o cenário político, por toda uma época histórica”. (16)

A consequência era clara: “A tomada do poder pelos fascistas significaria provavelmente a necessidade de criação de um novo partido revolucionário e certamente também de uma nova Internacional.” (17) Trotsky também realçava: “Conduzindo a política de uma fração e educando seus quadros na base desta experiência, a Oposição de Esquerda não escondia nem a ela mesma nem aos outros que uma nova derrota do proletariado resultante do centrismo teria, naquele momento, um caráter decisivo e exigiria uma rigorosa revisão em nossa posição sobre a questão de fração ou partido.” (18)

O exemplo de luta fracional de 1939-1940 no seio do SWP

Como último teste sobre o método utilizado por Trotsky, consideremos a última grande luta política de sua vida, contra a oposição Burnham-Schachtman-Abern no SWP. Era uma tendência em que os membros dirigentes seguiam abertamente as revisões do marxismo, rejeitando o materialismo dialético e caracterizando a União Soviética como “coletivismo burocrático”. Trotsky considerava esta oposição como de caráter pequeno-burguês em seu conjunto. Segundo o método sectário, não restaria nenhuma dúvida sobre que atitude tomar a respeito de uma tendência deste gênero: cindir! Na introdução à edição healynista de Em Defesa do Marxismo, Cliff Slaugter afirma:

“Cannon e a maioria da direção do SWP se bateram firmemente para defender e construir o partido e, em eliminar a oposição, uma vez provado que ela resistia obstinadamente a toda tentativa de atração rumo às posições revolucionárias”.

Ainda uma vez o healynismo decide “aprofundar” o pensamento de Trotsky! Eis o que Trotsky, em oposição a Slaughter, tinha a dizer sobre a questão: “Caro amigo (John G. Wright, dirigente do SWP). Eu subscrevo inteiramente a sua opinião sabre a necessidade de um combate político e teórico firme, e mesmo implacável, contra as tendências pequeno-burguesas da oposição. Você observa que em meus últimos artigos caracterizo as divergências da oposição de maneira ainda mais categórica do que a maioria. Mas ao mesmo tempo creio que este combate ideológico implacável deve ser acompanhado de uma tática organizativa muito prudente e muito sábia. Vocês não têm o mínimo interesse em uma cisão, mesmo se a oposição por acaso viesse a ser majoritária no próximo congresso… Mesmo se estivessem vocês eventualmente minoritários deveriam, no meu entender, continuar disciplinados e leais para com o partido em seu conjunto”. (19) Mais tarde ele acrescentava: “Se alguém propusesse, por exemplo, a exclusão do camarada Burnham, eu me oporia energicamente. Mas ao mesmo tempo penso ser necessário engajarmo-nos na mais ardorosa batalha ideológica contra estas posições anti-marxistas.” (20)

Trotsky ia, inclusive, mais longe: “Ouvi dizer que em uma reunião o camarada Gould (que apoia Abern) exclamou: ‘Vocês querem nos excluir’ … Se alguém da maioria chega a fazer tais ameaças, de minha parte eu votaria por uma censura ou por uma advertência severa.” (21) No geral, Trotsky e Cannon estavam longe de expulsar a tendência pequeno-burguesa do partido e favorecer uma cisão política. Trotsky estava pronto a sustentar medidas disciplinares contra quem quer que defendesse este ponto de vista! Eis a extensão do abismo que separa Healy do trotskysmo e do leninismo.

Esse combate ilustra maravilhosamente a tradição legada por Lênin em matéria de luta fracional: luta fracional política e ideológica implacáveis, simultânea e dialeticamente ligadas a uma luta sem misericórdia pela unidade do partido. O healynismo, que rejeita abertamente estas lições, está em total ruptura com Lênin e Trotsky sobre a questão da distinção entre um partido e uma fração.

Enfim, a experiência de 1940 deveria por um termo à afirmação ridícula segundo a qual Trotsky teria, no período precedente, recusado uma ruptura com o Comintern pela simples razão de ser este então uma “grande organização”. Em 1940, o SWP contava com mil membros. A luta levada por Trotsky contra a cisão não era uma questão de número, mas de princípio. Trotsky, assim como Lênin, só considerava a ruptura sobre a base de uma traição histórica à classe operária e da defesa de opiniões que, face a acontecimentos tão gigantescos, mostrassem representar o campo da contra-revolução. Mas ele recusava a cisão em 1940, como em 1923 ou 1927, frente a divergências de menor amplitude. Sua distinção entre partido e fração não era formal mas sim, na tradição de Lênin, uma linha histórica de classe.

Apos 1917, Lênin e Trotsky explicaram a necessidade absoluta de se bater sem remissão, politica e ideologicamente contra toda forma de oportunismo e conciliação, contra todas as posições errôneas dentro do partido. As cisões políticas só são justificáveis quando há a passagem para o outro lado da barreira de classes no curso de acontecimentos da luta de classes, compreensíveis para as grandes massas.

A cisão de 1953

Se em função deste princípio considerarmos a IV Internacional e sua cisão de 1953, então a questão organizativa principal que deveremos responder é a seguinte: tratava-se de uma cisão em dois partidos mundiais diferentes, em duas internacionais? Ou tratava-se de uma cisão em duas frações no interior da mesma internacional?

As implicações de tais questões e a base sobre a qual resolvê-las são claras. Justificar uma cisão em dois partidos mundiais sobre uma base leninista não significa somente que houve o desenvolvimento de teorias e tomadas de posição errôneas, mas que estas resultaram em traições históricas qualitativamente similares à de agosto de 1914 quando eclodiu a guerra imperialista – ou àquela que levou, em janeiro de 1933, à capitulação sem combate frente a Hitler.

Se uma tal mudança decisiva teve lugar – a passagem de uma das frações para o campo da contra-revolução, sua evolução futura estava evidente. Como as traições dos socialdemocratas após 1914 e dos stalinistas após 1933 se agravaram progressivamente, a degeneração desses novos traidores deveria se intensificar. Em tais circunstâncias, era necessário seguir a marcha de Lênin em 1914 e de Trotsky em 1933: a ruptura definitiva e completa; a rejeição desdenhosa da “unidade” com os agentes de uma classe inimiga; toda “reunificação” inteiramente excluída. A única atitude correta para com os traidores é uma denúncia sem piedade das crescentes traições daqueles que se reclamavam falsamente do trotskysmo.

Esta foi, durante muito tempo, a opinião dos partidários de Lambert. Assim escreviam os militantes ingleses do Corqui (Comitê de Organização pela Reconstrução da Quarta Internacional, da sigla francesa): “O pablismo destruiu a IV Internacional como partido mundial, por uma adaptação ao stalinismo em 1953, quando Pablo e os seus sustentaram o Kremlin contra a insurreição dos trabalhadores alemães orientais.” (22)

À parte o fato de se tratar de uma vergonhosa mentira – ninguém na IV Internacional sustentou o Kremlin contra os trabalhadores alemães orientais – esta posição tem ao menos o mérito de ser coerente. Se, com efeito, não somente teorias revisionistas foram desenvolvidas, mas além disso resultaram na sustentação da contrarrevolução no curso de um acontecimento tão decisivo como a primeira tentativa de revolução política contra a burocracia stalinista, então uma ruptura principista sobre uma base leninista era perfeitamente justificada. Era de se esperar que os “pablistas” consumassem esta cisão com traições ainda mais profundas – o que Just aliás sustentou por longo tempo.

No centro das posições de Healy, a mesma conclusão é desenvolvida: o apoio ao stalinismo na Alemanha Oriental em 1953 e na França durante a greve geral, no mesmo ano, constituiu-se a virada qualitativa à qual se seguiram, mais tarde, um agravamento das traições na Hungria em 1956, em Cuba em 1960, em 1964 no Ceilão, no que concerne ao Vietnã. Finalmente, como “revela” Healy na série de artigos “A IV Internacional e a segurança”, os revisionistas degeneraram até tornarem-se cúmplices e agentes do imperialismo, da GPU, da polícia, etc… – ou, mais precisamente, esta camada que havia sido composta todo o tempo por agentes da GPU, alcançou um lugar dominante e incontestável entre os “pablistas”.

Do outro lado, em 1953, havia aqueles que pensavam que, a um certo momento, o SWP americano havia sucumbido ao imperialismo ianque e tinha se tornado uma organização dominada pelo reformismo, pelo pacifismo, pela pressão da pequena- burguesia branca, etc. Todas estas posições têm ao menos um mérito de serem coerentes. Mas, contrariamente a estas posições, e apesar das inflamadas declarações que efetivamente foram feitas (não há como esconder que Cannon disse em 1953 que a ruptura com Pablo era mais decisiva que a com Burnham e Shachtman, ou que Pablo escreveu que “a fração de Cannon era um grupo condenado pela História”), as principais forças dos dois lados concluíram rapidamente que uma tal traição histórica mundial, que uma tal ruptura com o trotskysmo, com os interesses do proletariado, não havia acontecido.

No mais, apesar de seu blefe e de suas mentiras visando a desmentir essa evidência, Healy tem suficiente consciência deste fato. Com efeito, pode-se encontrar as provas conclusivas em documentos de sua própria organização. Assim, em janeiro de 1961, o Comitê Nacional do SLL (Liga Socialista do Trabalho, da sigla inglesa), precursora do WRP (sigla em inglês de Partido Revolucionário dos Trabalhadores, NE) enviou uma carta ao Comitê Nacional do SWP (norte-americano; sigla em inglês de Partido Socialista dos Trabalhadores, NE), declarando: “é tempo de nos reaproximarmos da época em que o revisionismo pablista era considerado uma tendência do trotskysmo”. Esta posição não tem nenhum sentido a menos que se considere que o revisionismo pablista, a linha do Secretariado Internacional da IV Internacional, era efetivamente uma tendência do trotskysmo até esta época.

De outro lado, como as ações são mais eloquentes que as palavras, considerem o que deveria ter sido o curso dos acontecimentos se traições históricas mundiais suficientes para justificar não somente a criação de uma nova fração mas também um novo partido tivessem ocorrido. Nestas circunstâncias, nenhum discurso sobre a “reunificação” teria sido possível. Jamais passaria pela cabeça de Lênin e Trotsky falar, ainda menos propor, uma “reunificação” com os socialdemocratas após 1914 ou com os stalinistas após 1933. Não obstante, esta não foi a posição seguida por Healy. Quando a reunificação entre o Secretariado Internacional e o Comitê Internacional (de Healy) foi proposta em 1957, Healy não se opôs segundo a base de princípio correta que deveria proceder de sua análise do “revisionismo pablista”. Ao contrário, ele concordou em formar comissões paritárias e sobre toda uma série de pontos que estariam fora de questão com uma aplicação principista de sua posição.

Pior ainda, em 1960 Healy convidou para fazer uma exposição à escola de verão do SLL a Ernest Mandel – o mesmo Mandel que, segundo a análise de Healy, era um traidor contra-revolucionário. Imaginem só Lênin convidando Kautsky em 1915 à uma escola bolchevique, ou Trotsky pedindo a Stalin para se dirigir à uma assembléia da IV Internacional! Finalmente, esta seita acaba de dar recentemente, em seu estilo inimitável, uma nova prova de sua incoerência, provavelmente sem compreender as implicações do que fazia. Em julho de 1970, Healy contata a IV Internacional para engajar “discussões informais sobre a possibilidade de um debate comum centrado em torno das diferenças políticas mais marcantes; e orientado em direção a uma Conferência Internacional comum”. (23)

De novo, se se pensa que os “pablistas” são uma corrente exterior ao trotskysmo, que traiu a classe operária historicamente, então isso nada mais é do que uma capitulação indigna.

O problema para Healy é que se esta proposição é correta, então é necessário tirar as conclusões organizativas correspondentes. Se nenhuma traição histórica justifica a criação de novos partidos e de uma nova Internacional, a tarefa dos revolucionários é de reunificar suas forças. Senão, chega-se a tentar construir organizações a partir de diferentes táticas, de análises dos acontecimentos conjunturais, de teorias cuja natureza de classe não foi plenamente demonstrada à luz da luta de classes. Tudo isso pode servir para construir uma seita, mas absolutamente não um partido revolucionário.

Estas práticas não tem nenhuma relação com as concepções de Lênin e Trotsky.

Por exemplo, consideremos a posição de Trotsky no período de 1923 a 1933, quer dizer, antes de que ele tivesse tido a prova definitiva que a Internacional Comunista havia passado para o lado da contra-revolução. A Internacional Comunista era uma organização que em 1927 havia objetivamente traído a revolução chinesa. Durante toda uma parte deste período, Trotsky e seus partidários foram obrigados a comportar-se como uma fração pública da Internacional – não por escolha mas por sua exclusão. Trotsky, contudo, não aceitava esta existência como fração pública. Ao contrário, ele pedia a readmissão de sua fração ao partido. Ainda em dezembro de 1932, afirmava categoricamente: “Toda a responsabilidade da cisão do comunismo repousa sobre a burocracia stalinista. Os bolcheviques-leninistas estão, a todo momento, prontos para reunir-se às fileiras do Comintern. e a respeitar estritamente a disciplina na ação.” (24)

Por outro lado, o que exigia Trotsky – não como dirigente do partido, mas como dirigente da fração, para o fim da existência da Oposição enquanto fração pública – não era uma condição política (como o abandono pela IC da linha sobre a China ou da dita linha do terceiro período), mas uma condição organizativa: o direito de levar o ponto de vista da fração ao conjunto do partido. Sobre esta questão, Trotsky estava totalmente aberto para fazer compromissos sob a condição do estabelecimento do princípio: “Não podemos nos recusar a criticar o centrismo (stalinista)… mas uma crítica mútua, que é em si mesma inevitável e frutífera, pode ter um caráter diferente segundo o grau de preparação consciente de cada uma das partes, e de acordo com o quadro organizativo dentro do qual ela se dá. Sobre este terreno, a Oposição de Esquerda está pronta a concluir, a todo momento, um acordo no qual ela só pede o restabelecimento do seu direito de militar nas mesmas fileiras”. (25)

Trotsky foi até o fim absolutamente firme na distinção entre um partido e uma fração, e sobre as conclusões decorrentes de cada uma dessas posições. Uma vez que as condições que justificam um novo partido foram estabelecidas, então é necessário uma cisão categórica, completa e irreversível, rejeitando todo o discurso pérfido sobre uma “reunificação”, com os contra-revolucionários.

O que não se pode fazer é ter ao mesmo tempo o pano e o dinheiro. Não se pode simultaneamente manter que existem “revisionistas pablistas” que traíram historicamente a classe operária, e que existe ao mesmo tempo um “movimento trotskysta mundial” ao qual todo mundo continua a pertencer. Qualquer que seja a dose de pseudodialética de que Healy lança mão, estas duas idéias contraditórias nunca poderão se reconciliar.

Tendo tirado as lições históricas da luta de Lênin contra os revisionistas na II Internacional, e da luta de Trotsky contra o stalinismo, encontramos o que se sobressai nos dois casos: nem um nem outro lançaram um novo partido antes que, respectivamente, os social-democratas e os stalinistas tivessem definitivamente passado para o campo da contra-revolução – os primeiros sustentando a I Guerra Mundial imperialista, os últimos por sua capitulação em 1933, que permitiu a Hitler subir ao poder sem que um só tiro fosse dado.

 

Notas:

(1) Lênin – Oeuvres, tome 7, pp 366/7.

(2) Lênin – Collected Works, vol. 34, pp 246.

(3) Lênin – Oeuvres, tome 17, pp 268.

(4) Lênin – Oeuvres, tome 17, pp 468.

(5) Lênin – Oeuvres, tome 17, pp 487.

(6) Lênin – Oeuvres, tome 17, pp 228.

(7) Lênin – Oeuvres, tome 17, pp 228.

(8) Lênin – Oeuvres, tome 11, pp 332-3.

(9) Lênin – Collected Works, vol. 21, pp 16.

(10) Lênin – Collected Work, vol. 21, pp 38.

(11) Lênin – Collected Works. Vol. 21, pp 444.

(12) Resolução do Primeiro Congresso da Internacional Comunista sobre a Conferência de Berna dos partidos da II Internacional.

(13) Leon Trotsky – É necessário construir Partidos Comunistas e uma nova Internacional.

(14) Leon Trotsky – E agora?

(15) Leon Trotsky – É impossível permanecer na mesma Internacional com Stalin.

(16) Leon Trotsky – Alemanha, a chave da situação internacional.

(17) Leon Trotsky – Por uma Frente Única Operária contra o fascismo.

(18) Leon Trotsky – É necessário construir Partidos Comunistas e uma nova Internacional.

(19) Leon Trotsky· – Em defesa do Marxismo – pg. 122.

(20) Idem – pg. 145.

(21) Idem.

(22) Marxist Bulletin, Inverno de 1976, pg 26.

(23) Workers Press, 7 de julho de 1970.

(24) Leon Trotsky, As tarefas e os métodos da Oposição de Esquerda Internacional.

(25) Leon Trotsky, Nós necessitamos de um honesto acordo partidário interno.

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