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Trabalho forçado na China produz 25% da roupa vendida no mundo

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Marcas como Zara, C&A, Nike, Adidas, Lacoste, Muji, CalvinKlein, H&M, Ralph Lauren, todas recorrem ao trabalho forçado dos uigures na produção de algodão, em campos de detenção na província de Xinjiang.

Esquerda.net, 24 de julho de 2020

Uma coligação de mais de 190 organizações de defesa dos direitos humanos exige que as grandes marcas da indústria de moda deixem de recorrer a fornecedores que exploram a minoria muçulmana na província de Xinjiang, na China, que garante 20% da produção mundial de algodão, noticia o jornal Público.

A crescente incitação à intolerância política e étnica face à comunidade uigur por parte do Partido Comunista Chinês, os mecanismos de controlo biométrico e digital, e um regime penal arbitrário e discriminatório aliado aos interesses do capital destas multinacionais, transformaram progressivamente a região num inferno de campos de trabalhos forçados, tortura, separação forçada e esterilização de mulheres para controlo de natalidade.

Em 2009, o Exército de Libertação Popular da China matou pelo menos 400 uigures que se manifestavam pacificamente em Urumqi, a capital da região autónoma de Xinjiang, um incidente que, à altura, impediu a participação do Presidente chinês na cimeira do G8, mas não teve consequências diplomáticas agravadas desde então.


Segundo as organizações de defesa dos direitos humanos, 84% do algodão produzido na China, o maior produtor desta matéria-prima a nível mundial, é proveniente de Xinjiang, tendo 20% do algodão mundial origem nesta província, fornecendo depois fábricas de roupa em todo o mundo, incluindo o Vietname, Bangladesh ou Camboja.

Pelo menos uma em cada cinco peças de roupa vendidas em todo o mundo terão como base o algodão produzido no noroeste da China, com pelo menos um milhão de uigures em campos de detenção, alegam as Nações Unidas.


Ainda segundo a denúncia desta coligação, o governo chinês estará a subsidiar estas marcas multinacionais à expansão de fábricas em toda a China, fornecendo uigures detidos nos campos de detenção, no que se equipara a trabalho escravo e tráfico de seres humanos.

“As marcas globais precisam de se questionar a si próprias sobre o quão confortáveis estão ao contribuir para uma política genocida contra o povo uigur”, afirmou ao The Guardian Omer Kanat, director executivo do Projeto de Direitos Humanos Uigur, uma organização de defesa dos direitos dos uigures e de outras minorias muçulmanas, sediada nos Estados Unidos.

“As marcas e os retalhistas deveriam ter abandonado há muito tempo [a conivência com o trabalho forçado uigur], mas não o fizeram e é por isso que este apelo público é tão importante e necessário”, acrescentou à BBC Chloe Cranston, da Anti-Slavery International, uma das mais de 190 organizações envolvidas na campanha. “Não se trata apenas de acabar a relação com um fornecedor. É também sobre adoptar uma abordagem compreensiva”, concluiu.

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