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Morre Larry Kramer (1935-2020), ativista da luta contra o HIV/Aids

O dramaturgo fundou a Act Up e foi uma referência para os movimentos pelos direitos das pessoas com doença.

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Esquerda.net, 28 de maio de 2020

Larry Kramer foi um dos fundadores da organização Gay Men’s Health Crisis, em 1981, a primeira organização comunitária de apoio às pessoas infetadas pelo VIH e SIDA numa altura em que a infeção ainda não tinha nome e era apelidada de “cancro gay". Posteriormente, em 1987, afasta-se da organização por considerar que o seu trabalho era insuficiente e “cobarde”, devido à ausência de denúncia da inação das autoridades políticas e de saúde no combate ao VIH.

Criou no mesmo ano a Act Up, um coletivo que iria ficar para a história não apenas do combate ao VIH e SIDA, mas de toda a organização política de pessoas com doença. A Act Up organizava protestos públicos e politicamente agressivos, tendo por exemplo bloqueado o funcionamento de ministérios e criado um cemitério à porta da Casa Branca. O objetivo era sempre tornar visível o rosto das pessoas a morrer com SIDA, exigir ação por parte do governo dos Estados Unidos da América na criação de medicação que ajudasse a combater o vírus do VIH e o fim da discriminação dos homens gay e de todas as pessoas infetadas. A história da Act Up ficaria registada no documentário United in Anger.

Numa altura em que o Governo de Reagan ignorava o VIH por considerar que esta era apenas uma infeção que afetava homens homossexuais, utilizadores de drogas e pessoas que fazem trabalho sexual, Larry Kramer alertava para o facto de se tratar de uma infeção sexualmente transmissível que poderia atingir qualquer pessoa e responsabilizava o Presidente e demais responsáveis políticos pelos milhares de mortos no país.

Profissionalmente, Kramer era um reconhecido dramaturgo, autor da peça “Um Coração Normal”, premiada com um Tony, na Broadway, e com um Emmy e um Globo de Ouro na adaptação cinematográfica. A peça é considerada pelo Royal National Theatre of Great Britain como uma das cem melhores peças de teatro do século XX.

 

Todo o seu trabalho tinha uma forte carga política e de denúncia de situações de discriminação, em particular relacionadas com a orientação sexual e estatuto serológico para o VIH. Entre elas, destaca-se o ataque a Ronald Reagan em "Just Say No, a Play about a Farce” (1988), “Faggots” (1978), "The American People - Search for My Heart" (2015) e "The American People: The Brutality of Fact” (2020).

 

Larry Kramer faleceu de pneumonia. Vivia com VIH há mais de três décadas e com várias das doenças associadas à infeção.

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